sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A Revolução Farroupilha e o (polêmico) morticínio em Porongos




Neste próximo 20 de setembro, tão cantado e decantado em prosa e verso pelos amantes do tradicionalismo gaúcho, estaremos comemorando 182 anos do início da Revolução Farroupilha. Dois meses mais, e teremos exatos 173 anos do polêmico episódio do morticínio dos Lanceiros Negros em Porongos, episódio este, nódoa em nossa história, que os tradicionalistas preferem, pela polêmica gerada, “deixar de lado”.

Tenho de ter muito cuidado em escrever sobre esses dois temas, principalmente Porongos, pois tem havido um mar de teses desconstruindo tudo e todos relacionados à nossa história. Há gente, extremamente de mal com a vida ou, pior ainda, por questões meramente ideológicas, useira no cometimento de teses rasteiras e parcamente objetivas sobre o assunto. Há casos mais gerais (Dom Pedro I, de herói da independência passa a um reles alcoviteiro; o nosso Bento Gonçalves, de herói farroupilha torna-se mero ladrão de cavalos; o grande Duque de Caxias, de líder vencedor da guerra do Paraguai passa a um cruel genocida) em que a lógica destruidora dos nossos heróis beira à misantropia. Quero deixar claro aqui que em absoluto sou contra estudos – sérios – que revisem e retifiquem a história oficial. Sou contra o exagero, a irresponsabilidade, o achismo, só.

A Revolução de 35, a nossa Revolução Farroupilha, é a mais importante na história brasileira, pois foi a que mais próximo chegou a uma secessão no sólido império brasileiro, a que se espraiou até a vizinha Santa Catarina, gerando a efêmera República Juliana. Há também a questão da duração, 10 anos de briga intestina, não é fácil! Tem ainda o fato (por muitos do resto do país escamoteado) de que o Ditador Argentino, o Rosas, estava pronto para liderar, junto com o Uruguai e a nossa República Rio-grandense, a construção de um novo gigante meridional. Portanto, mesmo que no resto do Brasil se brinque que a “revolução farroupilha foi uma guerra que perdemos, negociamos por empate e festejamos como vitoriosos”, nossos líderes mantiveram-se firmes e acabaram negociando uma paz JUSTA! Pra mim, somos vencedores e carece festejar, muito!

A Corte Imperial tinha medo que os rio-grandenses se unissem aos platinos e formassem um estado forte e ameaçador ao domínio do Império no Sul da América. Portanto, mesmo à véspera de uma muito provável derrota, negociamos e ganhamos do Império: anistia a todos os revoltosos; integração dos oficiais rebeldes ao Exército Imperial com as suas respectivas patentes; liberdade para os escravos que haviam participado da guerra (cabe aqui ressaltar o triste episódio de Porongos – que detalharei abaixo); devolução aos seus donos de todas as propriedades ocupadas ou confiscadas durante a guerra; pagamento pelo Império das dívidas; e, por fim, a indicação do presidente da Província pelos Farrapos. Querem mais?

Mesmo que não tenhamos sido vencedores na questão das ideias, ou seja, no ideal de um mundo novo por aqui,com a não intervenção do Estado na economia; com o controle do poder Executivo pelo Legislativo para se evitar o estado absoluto; com a federação das províncias; comum a nova e moderna Constituição; pela solução da questão econômica do charque e também do imposto sobre o sal importado,para quem –o Império Brasileiro –tinha como hábito esmigalhar os revoltosos revolucionários (forca para os líderes, desterro para os participantes menores), não podemos reclamar,pois foi uma boa negociação, não concordam?

Outra questão, caros leitores, foi uma revolução democrática, do povo? Obviamente que não. Não havia como. Numa província com uma população de 400 mil rio-grandenses (não gaúchos: gaúcho por esta época era um termo altamente pejorativo que nominava uma massa de analfabetos boçais e selvagens, uma bugrada de bêbedos livres, nunca assalariados, de saqueadores, homicidas e estupradores) com apenas 5% de alfabetizados, uma revolução somente poderia ser feita por uma elite abonada e intelectualizada de estancieiros.

Mesmos os críticos da revolução concordam que os “os ideais liberais e republicanos dos farroupilhas eram progressistas em relação à Monarquia brasileira”.

Como o Império, que era impermeável a qualquer mudança, mínima que fosse, e além de tudo tinha o fato de estar sendo governado por regentes, não atendia os apelos dos sulistas, foi declarada a guerra.
Da guerra adveio a gloriosa República de Piratini; as batalhas heroicas, as gestas épicas; a prisão e a fuga do general Bento; a dilatação do movimento com a formação da República Juliana na vizinha Santa Catarina; o início, a partir de 1840, das perdas de territórios conquistados, sendo a batalha de Ponche Verde, em 1843, o último sucesso bélico-farrapo; as inevitáveis desinteligências entre os bravos líderes; das desinteligências, os ódios, rancores como, por exemplo, o lamentável episódio do duelo entre o Bento e o Onofre Pires que acaba na morte do Onofre;os anos derradeiros com a busca pela de paz via negociação com os Imperiais; e, por fim, dez anos depois, exauridos, em 25 de fevereiro de 1845, nos campos de Ponche Verde, com a leitura dos termos por parte de Fontoura e a necessária anuência da maioria dos oficiais farrapos presentes, a lavratura da Paz!

Em epílogo ao texto (talvez, pela importância do tema, um epílogo por demais longo) o polêmico episódio de Porongos ou – houve ou não traição?

Quantas vezes, nas quentes tardes de desfiles farroupilha dos 20 de setembro, tenho visto alguns negros e negras, orgulhosamente trajados, com todo o rigor que a tradição manda, a desfilarem, sobre seus belos cavalos,pelas enfeitadas ruas da minha querida Taquari! Será, questiono-me alhures no tempo, será que eles sabem do episódio de Porongos?

Eu li e reli inúmeros livros, documentos, teses sobre o mesmo. Mesmo assim, não tenho opinião formada. Existem argumentos muito bons para ambas as teses. Vou, de uma maneira rápida, listá-los para o discernimento dos amigos leitores. Cada um que faça a sua convicção.

A favor da traição: a questão dos negros que lutaram pelos farroupilhas, era um óbice à paz; os republicanos exigiam alforria para todos e, com isso, criavam um brete às negociações com os imperiais. Para os líderes da corte, mesmo querendo resolver logo a questão sulina, a instituição do escravagismo continuava sendo um forte instrumento de unificação nacional, algo imexível: mesmo injusto, mesmo moralmente errado, era a forma de manter os “poderosos” donos de terras em paz e sintonia com o Império. É cínico, mas era assim que funcionava. Então, com o intuito de finalizar a guerra, o taquariense David Canabarro, mancomunado com Caxias, teria mandado, na madrugada de 14 de novembro, desarmar todos os escravos. Afirmam alguns a existência de uma carta de Caxias mandando o coronel Francisco Pedro de Abreu, o Pedro Moringue, atacar o acampamento e matar os desarmados lanceiros negros e poupar somente os brancos e índios. E assim foi feito. O Corpo de Lanceiros Negros, 600 valentes guerreiros, desarmados, desprotegidos, foi dizimado! Convenientemente, Canabarro e alguns altos oficiais tinham se retirado do acampamento para resolver problemas prementes. O entrave às negociações não existia mais. Três meses após, a paz foi assinada. Como prova da traição de Canabarro, ele foi processado pelos Republicanos. Não deu em nada, até porque que o julgamento foi na corte.

Contra, não houve traição, só uma fatalidade de guerra: Houve, isso sim, um ato isolado do louco Moringue que atacou o acampamento por moto-próprio, na tentativa de se promover junto a Caxias. Jamais Caxias (que, a par de ter sido um competente comandante, era um homem extremamente culto, inteligente, amante de ciência, foi um dos promotores da instalação no Rio de Janeiro do primeiro observatório astronômico brasileiro) daria tal ordem, e, na condição de governador da província, era o maior interessado na paz imediata. Havia um decreto de suspensão das armas, o armistício. As negociações pela paz estavam muito adiantadas. O desarmamento dos Lanceiros Negros inseria-se neste contexto. Mais duas provas irrefutáveis: o próprio Canabarro foi pego de surpresa e teve de fugir com suas roupas de baixo da tenda da sua amante, a “papagaia”(casada com um boticário/médico taquariense, de nome João Duarte, das tropas farrapas conhecido por “papagaio”); ora, se soubesse do ataque jamais seria pego com as calças na mão! A outra prova: o negociante republicano pela paz junto à Corte, o plenipotenciário Antônio Vicente da Fontoura, estava de viagem marcada para o Rio de Janeiro e dormiu no acampamento, tendo na fuga extraviado documentos importantes. Não faz senso! No seu diário, escreve Fontoura: - ”Bagé, 18 de novembro de 1844. Como são falíveis os juízos dos mortais! Minha carta de 13, e esta, bem o provam. Não quero fazer, porém, a descrição do revés que tivemos a 14, porque o Gabriel vai e ele que o conte. Fui feliz e tudo quanto nos pertence. Os meus possuelos foram-se. Ficou a Lindoca sem a sua caixa de tintas e a Bindunga sem o lenço!

Cada um julgue conforme sua consciência. Como já adrede afirmei neste texto, eu ainda não tenho(e talvez nunca o tenha) um juízo formado. Agora, eu negro, jamais festejaria o 20 de setembro sem que a questão fosse aclarada. Julgo fundamental que uma comissão de notáveis historiadores, gente com alto saber, com um mínimo de 50% de negros, estudasse o polêmico episódio e emitisse um parecer final. A verdade absoluta, verdadeira, até mesmo pelo tempo avançado, dificilmente será alcançada, mas, com critério, objetividade e isenção poderemos, sim,ao menos trazê-la uma distância mais próxima da realidade.

João Paulo Da Fontoura
Imagem: YouTube

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Preço e custo



Bem alto grita indigente:
Como é difícil pra gente
Viver neste ambiente sujo.
Morando dentro do lixo
Comendo que nem um bicho,
De mim mesmo às vezes fujo.

Chora mulher ao seu lado:
Que será que fiz de errado?
Por que perdi meu filhinho?
Sem ter pecado morreu.
Ninguém sofre mais que eu.
Oh, vida cheia de espinho!

Ébrio que perdeu a fé,
Quase não ficando em pé.
Discursa com dedo em riste:
Que mundo de sofrimento!
Me apresente um argumento
Que compense viver triste.

Eu não entendo o que fiz,
Mas quanta gente é feliz,
Que disto aqui longe passa,
Vai distribuindo sorriso,
Vivendo num paraíso,
Desconhecendo desgraça.

Parece até incoerência
Quando se vê indigência
Esquecem que são pessoas
Que sentem dores, tristezas,
Que têm vazias as mesas,
Mas parecem almas boas.

A Lei de Causa e Efeito
Não é apenas conceito.
Dá resposta convincente.
A todo erro, sem embargo,
Existe o remédio amargo
Na vida de muita gente.

Lei maior que determina,
Vem a Justiça Divina
Com adequada medida.
Ainda habita na Terra
Muito indivíduo que erra,
Ou que errou noutra vida.

Tudo tem seu preço e custo.
Deus é bom, perfeito e justo...
Partindo desta premissa,
Vem correto o resultado
Resta ser resignado
Com a Divina Justiça.

W. F. Aquino

Imagem:Kardeciano - blogger

sábado, 22 de julho de 2017

Comigo ainda viverás...







Lamino-te as bordas para não ver-te despida.
Tão linda quando criada, ainda tem belezas para acrescentar.
Mãos que tecem glórias querem ver-te brilhar ao mundo.
Passa-se o fundo e cobrem-se os riscos das desigualdades.




Lamino-te a face perfeita para ver-te mais que perfeita!...
Para sorrirem e brilharem os olhares sobre ti.
Deitada ou de pé, olhem quem quiser...serás apenas tu.
Tens o espelho para o mundo, e o brilhar do inocente...




Cuido-te para não machucares a perfeição da obra do Criador...
Protejo-te para que os olhos da humanidade não destruam o projeto.
Sei que o brilho dos anéis, mais te ofertam. Poucos te valorizam...
Tu tens a dar!...e recebes. Muitos soqueiam-te e jogam-te ao alto.




Seco tua face molhada, limpo tuas pernas, passo um pano no teu corpo e te abraço...
Visto-te de emoção o branco e vermelho, porque paz e paixão andam juntos.
Perfumo-te para tirar o embriagado cheiro. Retomo-te, és minha...
Foram meus braços e minhas mãos que fizeram-te nascer! És minha mesa preferida.




Celso Ferruda, poeta marceneiro
Comendador na Embaixada da Poesia
Direitos reservados (é lei)

sábado, 15 de julho de 2017

Boca de siri




O título deste texto é uma expressão quase em desuso,    mas que já foi da moda no passado, quando queríamos que alguém guardasse segredo de uma descoberta muito importante. Ela me vem à lembrança no presente, por conta da megatentativa da Policia Federal em moralizar o país.

Cresci num arrabalde, meio urbano, meio campestre, mais chegado para a natureza do que para o cimento armado. Costumávamos à tarde, mal chegados da escola, sair pelo campo, à procura de diversão.

Certo dia, descobrimos num tronco apodrecido, uma enorme colmeia, abarrotada de mel. Decidimos que uma descoberta tão valiosa deveria permanecer em segredo, portanto, boca de siri. Ninguém mais poderia saber da sua existência.

Retornamos para casa, trazendo algumas amostras e tivemos que justificar a sua procedência. Mesmo assim, o segredo e a colmeia se mantiveram por dois ou três dias, até que a notícia se espalhasse.

A partir dai, foi um verdadeiro alvoroço. Todo mundo queria retirar um pouquinho do mel. As mães diziam que ele era medicinal, atuava contra as infecções de garganta.

 A criançada queria se esbaldar, o mel é doce e o que é mais doce e saudável do que o mel natural, direto da fonte? Havia até um ou outro comerciante dando uma espiada, para saber se de lá poderia tirar algum proveito. Enfim, mexemos numa abelheira, sem termos competência para melar.

Depois de uma semana, o cenário era desolador. Restos de favo espalhados pelo chão, o tronco hospedeiro feito em pedaços e o pior, os ovos e as larvas do enxame pisoteados e sendo arrastados pelas formigas.

Passado tanto tempo daquele episódio, por mais ingênuo e singelo que possa parecer, faço aqui uma analogia das minhas peraltices de criança, com o que os políticos fizeram com a gigante Petrobras. Descobriram uma fonte rica e saudável, a qual julgaram ser de recursos inesgotáveis.E não souberam guardar o segredo.

Apesar do gigantismo, a fonte expôs suas fragilidades e por ali penetraram os predadores. Gananciosos, foram longe demais e perderam o controle. Inicialmente, a fonte alimentava pequenos feudos, mas com o passar do tempo, toda a corte se habilitou.

Em um país onde o povo é politicamente submisso,  como somos, tudo pode acontecer. Nossos valores positivos há muito que se perderam no tempo e hoje, o que mais consumimos são: fraudes e corrupção.

Precisamos criar um fato novo, botando a “boca no trombone”, mostrando indignação e que, se às vezes agimos como cordeiros, quando acuados, também saberemos morder como lobos.
Anildo M. da Silva


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Perdão





Um moribundo sou sem teu perdão
Que vaga triste pelo mundo afora
Já sinto a morte me estendendo a mão
Não tenho tempo de partir agora

Eu não mereço nem tua presença
Nem mesmo clamo pelo teu olhar
Eu só não quero abandonar a crença
De ver um dia o teu perdão chegar

Não mais almejo nem o teu carinho
Que alimentava outrora o nosso ninho
Antes da hora da tua despedida

Se teu perdão um dia acontecer
Eu poderei então feliz morrer
Com tua imagem à mente refletida


 J. G. Ribeiro
Imagem: Cléofas

sábado, 1 de julho de 2017

Anjos Celestes






Luzes celestes acendem talentos
O livro da vida também ilumina
Seres humanos com seus passos lentos
Tal como o sol no céu se declina

Às vozes do céu, estejamos atentos,
Como substância de água cristalina,
Se absorvermos bons ensinamentos,
Na alma refletem a chama divina

Corrigindo erros, aparando arestas
Estes arquitetos desta grande empresa
São almas sinceras, prodigiosas mestras

Diuturnamente, na própria natureza
Anjos celestes, grandiosas orquestras,
São luzes divinas, com toda certeza.


W. F. Aquino
Imagem: assunto sobrenatural


sexta-feira, 16 de junho de 2017

A Rosa e o Vinho




O que tem a rosa e o que tem o vinho,
que tanto encantam os apaixonados?
-jantar romântico, casa-se a rosa com o vinho....
Se correspondido, levo a rosa, á menina.
Ela a mim, uma taça com um delicioso vinho...


Menina triste, solitária, desencantada,
arranca da rosa a pétala e cheira seu perfume.
No triste lamento do enamorado,
uma taça com vinho na mesa,
dois, três.. venham outros mais...


Vinho na mesa, certeza da rosa na cama...
um brinde a mais, o amor chama, ...
a rosa exclama:-o vinho é demais!...
Tira a fronha, tira o lençol, tira meu sono..


Tira tudo. Até meu abandono,
o vinho é tua saliva, tu, meu dono...
-a rosa minha companheira
entrego-me a noite inteira...e por amor


Mas o que há neste vinho e nesta flor?
-há, senhor,um pouco de mim,
também muito dela, sim senhora...
eles são minha vida!- meus sedutores
meus amores a qualquer hora...

Celso Ferruda
Imagens: via Google

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Acalento




Venho de longe lá de longe venho
Só pra te ver, ó minha doce amada,
Viver os sonhos que na noite tenho
Fazer o pranto se tornar calado

Eu quero ver-te nesta noite fria
Sem mais esperas quero te falar
Ver teu sorriso sóbrio de magia
Dos teus desejos quero partilhar

Quero envolver-te no tempo infinito
Ouvir na alma o eco do teu grito
Viver contigo em novo firmamento

Fazer de ti de todas a mais bela
A mais graciosa deusa desta terra
Te adormecer ao som de um acalento

J. G. Ribeiro

Imagem: Twitter

domingo, 14 de maio de 2017

A cota de cada um



Cada um vem com missão
Tarefa, luz ou labor
Inteligência e razão
Coube ao ser orientador

Para operário ou doutor
Cabe importante fração
A todo administrador
Os rumos de uma nação

Jamais faça pouco caso
Do braçal trabalhador
Cada alma tem seu vaso

Cada homem seu valor
Nada existe por acaso
Ao coração cabe amor.

W. F. Aquino
Imagem: Diocese de Caratinga



sábado, 22 de abril de 2017

O Sol e o Mar



O dia já não é tão belo assim
O sol se vai lá do azul do céu
A branca névoa cobre todo o anil
E faz cair o seu intenso véu

Mas tenta o sol de novo aparecer
Timidamente ao fim do horizonte
Tão forte a névoa vem para rever
A luz do sol que de novo se esconde

Restos de luz bailando pelo ar
Entristecendo e deprimindo o mar
Que desolado vê o sol morrer

Enquanto um breve vento se apresenta
Para tirar de cena a névoa tenta
Propondo ao sol se restabelecer




J.G.Ribeiro 
Imagem: itravelthereforeiam.wordpress.com

domingo, 9 de abril de 2017

Compreensão



Uma semente que brota
Um raio de sol que nasce
Ver o sorriso na face
Ilumina nossa rota

Se um a outro amparasse
Quanta bondade se adota
Cada qual dá sua quota
São bons conselhos que faz-se

Se todo aquele que lesse
Um tanto que compreendesse
Outro tanto assimilasse

Muita maldade desfaz-se
Se todo mundo aprendesse
Tudo que o Mestre ensinasse.

W. F. Aquino
Imagem: www.imagui.com 


domingo, 26 de março de 2017

Meu Amigo Jesus


Vídeo de cunho religioso escrito por Celso Ferruda,poeta marceneiro, na voz de Reginaldo Santos.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Ensinar era mais fácil






Está aberto o debate sobre a reforma do Ensino Médio. É um assunto para ser discutido por quem entende do “riscado”.

Contudo, todos nós temos um mínimo de experiência nesta área, pelo simples fato de que um dia também fomos alfabetizados, e os exemplos existem para serem utilizados. Creio ter dado algum trabalho às minhas queridas educadoras da época, pois era uma criança rebelde e briguenta, mas as dificuldades paravam por aí. Sim, porque desde os primeiros dias de aula, o aprendizado para mim passou a ser um desafio: precisava aprender a ler e a escrever disciplinadamente, para no ano seguinte trocar de turma. Não que aquela em que eu me encontrava fosse ruim, mas a minha motivação estava na primeira série “A”. Lá estava uma loirinha de olhos castanhos e acesos que me acelerava o coração logo pela manhã, quando eu passava defronte a sua casa, espremido entre tarros de leite, na carroça do seu Cristino, um bondoso leiteiro com quem eu pegava uma carona desde a minha residência, até o coleginho da dona Joana, como o chamavam carinhosamente, situado lá pelos lados do Fião.

Em conversa informal e respeitosa na hora do recreio, coloquei para uma das professoras que gostaria de trocar de sala. A resposta foi desafiadora. Aquela turma que eu tanto desejava estava mais adiantada que a nossa, porque os alunos haviam chegado à escola já semialfabetizados, ao passo que o meu grupo, apenas iniciava os primeiros contatos com o material escolar.

Mas não me abati. Só me restava um caminho, estudar, aprender a ler e escrever, ser um dos melhores, para no ano seguinte – devidamente aprovado – merecer fazer parte do segundo ano “A”, onde ela, por certo, estaria. Dediquei-me com afinco e já no fim do primeiro semestre, soletrava notícias de jornal para o meu pai que, orgulhoso, pedia que eu repetisse na presença dos meus tios.

Passei de ano, conquistei o tão sonhado lugar entre os mais adiantados, mas os meus interesses mudaram. É claro que a loirinha, minha primeira paixão, nunca soube dos meus sentimentos, mas sua beleza foi o motivo de tanto devotamento. Algo muito simples, que ainda existe até hoje entre os nossos meninos e meninas, quando bem orientados.

Evasão, repetência, autoestima, não se resolvem com decretos, mas com um bom programa de estímulo à educação, começando pela valorização do convívio familiar e dando condições decentes para a sobrevivência das pessoas.

Anildo Martins da Silva
E-mail: anildoms@yahoo.com.br

Imagem: Colégio Paulo Freire

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mulher



Homenagem às mulheres pelo Dia Internacional da Mulher            

A mulher é um ser especial
Capaz de simultaneamente estar
Em dois papéis diferentes:
Como mãe e como mulher,
Com afeto, com carinho e com calor.
Faz da vida uma rotina
Quando assume a própria sorte
Protegendo sua família, seu trabalho e seu destino
Sem deixar faltar o amor.
O homem é um ser carente,
Quando a mulher não está presente
No dia a dia da vida
Sem a mulher ao seu lado
Sua vida não tem sabor.

                J.G.Ribeiro
Imagem: via Google

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Exortação




Todo bom livro exorta
Ao saber, por natureza
Conhecimento é riqueza
Que nossa mente comporta

Inteligência conforta
Ignorância é tristeza
Escuridão com certeza
Do céu tropeça na porta

Exortação ou recado
Ao povo bem educado:
Bom livro nunca entorta

Deve ser lido, estudado
Pois livro sempre fechado
Não passa de letra morta.

W. F. Aquino
Imagem: catracalivre.com.br

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Criança na Chuva



Chamo-me Josenilson Leite - Poeta de Garanhuns e fiquei conhecendo o Blog por indicação do amigo Celso Ferruda. Fiquei muito feliz com o blog, estão de parabéns. Agradeço a oportunidade de poder compartilhar meus escritos com todos vocês. Estou enviando o link do vídeo de uma poesia, de minha autoria, chamada "Criança na Chuva". Um grande abraço a todos e que tenham um Ano Novo de muita paz, saúde e felicidades.
É um prazer termos poetas de outras partes do Brasil querendo publicar no nosso blog.

Imagens: Internet

Narração: o próprio autor.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Valsa das ondas






Soberbas ondas que vão e vêm
Trocando espaços vão se engolindo
Numa corrida que igual não tem
Vão chicoteando e vão se agredindo

Vultuosas ondas que vão subindo
Ganhando a praia elas vão correndo
Do mesmo jeito já vão sumindo
Como elas nascem já vão morrendo

Ativas ondas que o mar agitam
Ao mesmo tempo que elas gritam
Num só compasso emocional

Suaves ondas que vão e somem
Louvando a Deus e saciando ao homem
Mostrando a dança sem musical


J.G.Ribeiro 
Imagem: OsMais



domingo, 15 de janeiro de 2017

Ode à natureza



Como é bela a natureza
Quando vem raiando o dia
O mundo vira poesia
Linda manhã de verão
O canto dos passarinhos
Perfumes doces de flores
Brilhantes e vivas cores
Alegram meu coração

Como a natureza é bela
Quando o dia vem raiando
O chilrear de vez em quando
O canto de quando em vez
O céu azul mais radiante
Torna o dia mais bonito
Um poema vai sendo escrito
São versos que agora lês

Parece que o mundo nasce
Dentro do ar que respiro
Sai do meu peito um suspiro
Que acalma os sonhos meus
Nos confins do Universo
O sol com sua chama acesa
Ama tanto a natureza
Como a ama o próprio Deus.


W. F. Aquino
Foto: Celso Ferruda