sábado, 7 de outubro de 2017

Um Novo dia


    .
    Que ao acordar para este novo dia,
    Possa abrir seus olhos, para um novo mundo;
    O da sabedoria, o da paz e o da união....
    Que nunca lhe falte vida em seu semblante,
    Em seu olhar, alegria e a prosperidade, brotem e acompanhem-no em cada passo ou situação.
    Que seus passos sejam suaves e suas mãos leves.
    Que suas palavras sejam otimistas e, positiva sua direção.
    Que ao olhar para o céu e vir o sol e as nuvens,
    Somente possa agradecer este renascer.
    Por fim, dizer a Deus: obrigado por estas maravilhas, principalmente pelo dom da vida que lhe deu e Suas gloriosas e infinitas belezas...sem absolutamente nada cobrar.


    Celso Ferruda
    Foto: Suzana Ferreira

sábado, 30 de setembro de 2017

Idoso

Idade não é doença
E nem desprezo a ninguém
É a soma das experiências
Que só o idoso é quem tem

O jovem não acredita
Nos conselhos que recebe
Do idoso que o critica
Os erros que mais percebe

Conserve a terceira idade
Vivendo com qualidade
Fazendo o que desejar

Idoso bem humorado
Vive mais humanizado
A idade melhor que há


 J.G. Ribeiro

Imagem: Mobilidade Personal



sábado, 23 de setembro de 2017

David Canabarro

Neste mês de setembro findo, em que se registrou  os 180 anos do início da Revolução Farroupilha, peço licença aos amigos leitores para homenagear um dos personagens mais destacados desta gesta épica (e também, certamente, o mais polêmico): David  José Martins, o taquariense David Canabarro.

O grande general farroupilha nasceu, filho de pais descendentes de ilhéus açorianos, em 22 de agosto de 1796, aqui na nossa Taquari, a uns 6 quilômetros da sede da antiga freguesia, na localidade de Pinheiros. A casa na estância natal existia até há pouco tempo(li, no Correio do Povo,há uns 40 anos, que a casa, abandonada, descuidada, servia até como criatório de porcos.). Seus avós paternos, naturais da Ilha Terceira dos Açores, eram José Martins Faleiros e Jacinta Rosa. Um filho deste casal, José Martins Coelho, casa-se com uma moça nascida em Triunfo, Mariana Inácia de Jesus, filha de Manuel Teodósio Ferreira e Perpétua de Jesus. Este casal José e Mariana muda-se, então, para uma estância em Taquari onde nosso herói nasce e vive até seus 15 anos.

David inicia sua longa e vitoriosa vida militar na campanha Cisplatina de 1811/12, substituindo o irmão mais velho, Silvério, que era mais necessário nas lides campeira da estância da família. Inicia de reles soldado até o ápice da carreira como general: lutou nesta guerra, depois lutou contra Artigas, de 1816 a 1820, mais tarde, já como tenente, luta nas forças do futuro Presidente da República Farroupilha, Bento Gonçalves da Silva, na guerra de 1825 a 1828, à que culminou com a independência do Uruguai. Com pouco mais de 30 anos volta temporariamente à vida civil, agora ao lado do tio Antônio Ferreira Canabarro, numa estância em Santana do Livramento. É este tio o responsável pela assunção do nome Canabarro: o tio morre, e David assume a tia, a estância e o sobrenome.

Com a Revolução Farroupilha, ele volta ao palco bélico como tenente. Como todos sabemos, atinge aí o generalato e a Comando geral de todas as forças da frágil República.

Feita a paz de Poncho Verde, sina guerreira, vai agora guerrear nas campanhas contra Rosas e Aguirre, sendo seu canto de cisne a guerra do Paraguai. Acaba “General Honorário do Exército Brasileiro”. Morre o nosso herói, miseravelmente caluniado, na estância de São Gregório, a12 de abril de 1867. Portanto, longa vida, aos 71 anos incompletos.

As calúnias apontadas em direção ao grande general, referem-se, fundamentalmente, ao “incidente de Porongos”, nódoa que mancha a história da gloriosa revolução e, principalmente, a biografia do general farroupilha.  (Este episódio, Porongos, já foi, por mim, amplamente tratado em texto recém-publicado em jornal de Taquari, e neste conceituado Blog do Prédidi.)

A respeito da sua morte, assim a noticiou um jornal do Rio de Janeiro: “Tendo sido um notável caudilho da revolução por que passou esta Província, na qual adquiriu a reputação de bravo e habilidoso para a guerra, desceu ao túmulo acompanhado de graves acusações que a história um dia decifrará se foram merecidas ou injustas”.

Eu prefiro o manter no panteão sagrado dos heróis nacionais. Seguindo as palavras do genial Charles Chaplin, “O mundo não é composto de heróis e vilões, mas de homens e mulheres, com todas as suas paixões que Deus lhes deu. O ignorante condena, o sábio se compadece.”

Portanto, vou preferir sempre lembrar: do herói de duas Províncias, a nossa e a de Santa Catarina (onde,também, foi presidente da efêmera República Juliana); do homem que lutou pela sua Pátria até quase sua velhice; do comandante que ao receber oferta de emissários platinos de apoio militar na guerra farroupilha responde, “diga a seu chefe que assinaremos a paz com o Império com o sangue do primeiro invasor estrangeiro que atravessar a fronteira; pois, antes de tudo, somos brasileiros!”

Se pecados teve (e quem, mortal, não os tem!?) a morte e a eternidade já por certo os redimiram.

Por fim, um acréscimo etimológico: foi o David que cunhou a famosa frase (ao menos era no meu tempo de guri!) “boi de botas”, com a qual elogiava o bravo Corpo dos Lanceiros Negros do seu exército que, quando da invasão por terra à vila de Laguna, teve que marchar na íngreme subida da serra por brenhas inóspitas e pantanosas. That’sAllFolks! 


João Paulo da Fontoura
Imagem: Panoramio

sábado, 16 de setembro de 2017

Benesses do Universo



Fecho os olhos devagar
Meus pulmões encho de ar
Concentro-me em novo assunto
Sinto a beleza do mar
Vejo a gaivota voar
Minh’alma vai voando junto

Na montanha vejo a neve
Vai minh’alma voando leve
Chegando ao mais alto pico
Sinto estranha sensação
Que faz bem ao coração
Por isto me gratifico

À noite contemplo a lua
E minh’ama continua
Pelo espaço a divagar
E neste momento penso
Que estou no azul imenso
No mais bonito lugar

Minh’alma quando se solta
Vai ao alto depois volta
Com energias refeitas
Traz benesses do Universo
Um pouco delas disperso
Vou distribuindo colheitas

Mas quando pego no sono
Meu ego cego abandono
Minh’alma ruma ao futuro
Junto de outras almas boas
Que orientam muitas pessoas
Encontro luz no escuro.

W. F. Aquino
Imagem: Pixabay

sábado, 9 de setembro de 2017

A professora, não!



Quando me pedem para relembrar algum episódio agradável ocorrido na minha infância, entre tantas boas lembranças, certamente não faltará alguma escaramuça escolar. A escola para mim, era tudo de bom.Isto porque, saí do ambiente sisudo, adulto e de poucas palavras da minha casa, para um mundo louco, descontraído, de correria, brincadeiras irreverente, mas muito meu. Crianças, muitas crianças, fazendo tudo o que as crianças podiam fazer. De repente, ouvia-se o som meio abafado de uma sineta e de pé, no topo da escada, uma professora chamava:

- Façam filas para entrarem nas salas!

Que ambiente maravilhoso! Que energia positiva! E que professoras! Lembro-me de todas, lembro dos nomes e se puxar um pouco pela memória, talvez ainda saiba os sobrenomes. De algumas me lembro do sorriso, de outras do rosto cordial, por vezes uma voz severa, mas sempre um conselho proveitoso. Nunca fui um exemplo de aluno e as reprimendas que eventualmente recebi foram graças ao meu temperamento indócil.Professoras sempre representaram muito para mim.Com sua singeleza e sensibilidade apurada, conseguiam me fazer aceitar o autoritarismo exacerbado do meu pai e colocá-lo na galeria dos heróis, onde todos os pais deveriam estar. Lá, eu conseguia liberar um pouco mais as minhas emoções, dialogar com os meus iguais, arriscar uma arte sem receber castigo. As pessoas que agora estão lendo estes meus escritos, não pensem que estou delirando, ou talvez chegando ao planeta Terra vindo de outra galáxia. Esta escola tão acolhedora, com professoras tão maravilhosas, que na década de 1960 me recebeu e me transformou, existe sim, tem nome e tem endereço. Renovou o corpo docente é claro, mas os objetivos são os mesmos. Então, o que mudou? Nós mudamos, a sociedade adoeceu, é um embrutecimento coletivo, consequência da ganância desmesurada e da sede do poder sem limites. Lemos, ouvimos e vemos todos os dias, notícias ruins vindas de todos os lados, dando-nos conta de que o amor entre as pessoas já não tem a mesma conotação. Filhos matando os pais, mães descartando filhos, cresce o abismo entre os irmãos. Ouço que no interior do estado um aluno foi pego dentro da escola, portando uma espingarda para matar uma professora, seu desafeto. Pelo amor de Deus, as professoras não! Elas, ou eles, são o último baluarte, a última esperança que temos de reconstrução de uma sociedade íntegra, justa e produtiva. Aos pistoleiros de plantão, se querem destruir, procurem ajuda e destruam o que tem de ruim dentro de vocês, mas deixem os professores em paz.

Anildo M. da Silva –Aposentado.

Imagem: Ensaios de gênero – Word Press.com

domingo, 3 de setembro de 2017

Minha Profissão Inspira Poesia



Ah martelo! que bate, feito coração apaixonado.
Navalhas que cortam como a saudade por esperar.
Dentes que circulam feito a vida, e estraçalham a felicidade....
Farpas que cravam como sentir a dor da partida da amada...


Parafusos retorcem. Na dor, um carnal, para segurar a vida.
Miúdos pregos que prendem elogios...outros a fraqueza entorta
Gigantes para cuidar, obedientes homens para desvendar..
Caneta sábia, risca o traço do sonho, revertido em felicidade.


Cruel homem, corta o sentido, estraga a planta do verso perfeito.
Canção e melodia sobre tábuas, ao som das correias e motores.
Maquinas que colam as bordas e prensam desejos são inúteis.
Como inúteis são aqueles que acreditam: - o melhor e massacrar.


Nas cargas que vão e vêm, rodam mundos de ideais e sonhos.
Rodam lixas, fitas de corte. Roda a boa sorte e o esquadro do lar.
Plumam-se vidas, desenvolve-de ideias. outros as pintarão...
Tiro o pó. Fico na saudade. Bem verdade! Minha missão cumpri. Aposentei..


Celso Ferruda
Imagem: Internet

sábado, 26 de agosto de 2017

Amizade



Uma amizade é como um sonho belo
Um sentimento quase que perfeito
Os corações se unem como os elos
De uma corrente no interior do peito

Uma amizade é igual a uma flor
Quando é plantada no nosso jardim
É o manifesto de um pequeno amor
Que vai crescendo tal qual um jasmim

Uma amizade é como a flor do campo
Nasce espontânea no meio de tantas
Mas cada uma sempre é especial

Uma amizade é como um fogo ardente
Que vai queimando o coração da gente
Quando a saudade quer nos devorar

J.G.Ribeiro

Imagem: Mensagens com Amor

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A Revolução Farroupilha e o (polêmico) morticínio em Porongos




Neste próximo 20 de setembro, tão cantado e decantado em prosa e verso pelos amantes do tradicionalismo gaúcho, estaremos comemorando 182 anos do início da Revolução Farroupilha. Dois meses mais, e teremos exatos 173 anos do polêmico episódio do morticínio dos Lanceiros Negros em Porongos, episódio este, nódoa em nossa história, que os tradicionalistas preferem, pela polêmica gerada, “deixar de lado”.

Tenho de ter muito cuidado em escrever sobre esses dois temas, principalmente Porongos, pois tem havido um mar de teses desconstruindo tudo e todos relacionados à nossa história. Há gente, extremamente de mal com a vida ou, pior ainda, por questões meramente ideológicas, useira no cometimento de teses rasteiras e parcamente objetivas sobre o assunto. Há casos mais gerais (Dom Pedro I, de herói da independência passa a um reles alcoviteiro; o nosso Bento Gonçalves, de herói farroupilha torna-se mero ladrão de cavalos; o grande Duque de Caxias, de líder vencedor da guerra do Paraguai passa a um cruel genocida) em que a lógica destruidora dos nossos heróis beira à misantropia. Quero deixar claro aqui que em absoluto sou contra estudos – sérios – que revisem e retifiquem a história oficial. Sou contra o exagero, a irresponsabilidade, o achismo, só.

A Revolução de 35, a nossa Revolução Farroupilha, é a mais importante na história brasileira, pois foi a que mais próximo chegou a uma secessão no sólido império brasileiro, a que se espraiou até a vizinha Santa Catarina, gerando a efêmera República Juliana. Há também a questão da duração, 10 anos de briga intestina, não é fácil! Tem ainda o fato (por muitos do resto do país escamoteado) de que o Ditador Argentino, o Rosas, estava pronto para liderar, junto com o Uruguai e a nossa República Rio-grandense, a construção de um novo gigante meridional. Portanto, mesmo que no resto do Brasil se brinque que a “revolução farroupilha foi uma guerra que perdemos, negociamos por empate e festejamos como vitoriosos”, nossos líderes mantiveram-se firmes e acabaram negociando uma paz JUSTA! Pra mim, somos vencedores e carece festejar, muito!

A Corte Imperial tinha medo que os rio-grandenses se unissem aos platinos e formassem um estado forte e ameaçador ao domínio do Império no Sul da América. Portanto, mesmo à véspera de uma muito provável derrota, negociamos e ganhamos do Império: anistia a todos os revoltosos; integração dos oficiais rebeldes ao Exército Imperial com as suas respectivas patentes; liberdade para os escravos que haviam participado da guerra (cabe aqui ressaltar o triste episódio de Porongos – que detalharei abaixo); devolução aos seus donos de todas as propriedades ocupadas ou confiscadas durante a guerra; pagamento pelo Império das dívidas; e, por fim, a indicação do presidente da Província pelos Farrapos. Querem mais?

Mesmo que não tenhamos sido vencedores na questão das ideias, ou seja, no ideal de um mundo novo por aqui,com a não intervenção do Estado na economia; com o controle do poder Executivo pelo Legislativo para se evitar o estado absoluto; com a federação das províncias; comum a nova e moderna Constituição; pela solução da questão econômica do charque e também do imposto sobre o sal importado,para quem –o Império Brasileiro –tinha como hábito esmigalhar os revoltosos revolucionários (forca para os líderes, desterro para os participantes menores), não podemos reclamar,pois foi uma boa negociação, não concordam?

Outra questão, caros leitores, foi uma revolução democrática, do povo? Obviamente que não. Não havia como. Numa província com uma população de 400 mil rio-grandenses (não gaúchos: gaúcho por esta época era um termo altamente pejorativo que nominava uma massa de analfabetos boçais e selvagens, uma bugrada de bêbedos livres, nunca assalariados, de saqueadores, homicidas e estupradores) com apenas 5% de alfabetizados, uma revolução somente poderia ser feita por uma elite abonada e intelectualizada de estancieiros.

Mesmos os críticos da revolução concordam que os “os ideais liberais e republicanos dos farroupilhas eram progressistas em relação à Monarquia brasileira”.

Como o Império, que era impermeável a qualquer mudança, mínima que fosse, e além de tudo tinha o fato de estar sendo governado por regentes, não atendia os apelos dos sulistas, foi declarada a guerra.
Da guerra adveio a gloriosa República de Piratini; as batalhas heroicas, as gestas épicas; a prisão e a fuga do general Bento; a dilatação do movimento com a formação da República Juliana na vizinha Santa Catarina; o início, a partir de 1840, das perdas de territórios conquistados, sendo a batalha de Ponche Verde, em 1843, o último sucesso bélico-farrapo; as inevitáveis desinteligências entre os bravos líderes; das desinteligências, os ódios, rancores como, por exemplo, o lamentável episódio do duelo entre o Bento e o Onofre Pires que acaba na morte do Onofre;os anos derradeiros com a busca pela de paz via negociação com os Imperiais; e, por fim, dez anos depois, exauridos, em 25 de fevereiro de 1845, nos campos de Ponche Verde, com a leitura dos termos por parte de Fontoura e a necessária anuência da maioria dos oficiais farrapos presentes, a lavratura da Paz!

Em epílogo ao texto (talvez, pela importância do tema, um epílogo por demais longo) o polêmico episódio de Porongos ou – houve ou não traição?

Quantas vezes, nas quentes tardes de desfiles farroupilha dos 20 de setembro, tenho visto alguns negros e negras, orgulhosamente trajados, com todo o rigor que a tradição manda, a desfilarem, sobre seus belos cavalos,pelas enfeitadas ruas da minha querida Taquari! Será, questiono-me alhures no tempo, será que eles sabem do episódio de Porongos?

Eu li e reli inúmeros livros, documentos, teses sobre o mesmo. Mesmo assim, não tenho opinião formada. Existem argumentos muito bons para ambas as teses. Vou, de uma maneira rápida, listá-los para o discernimento dos amigos leitores. Cada um que faça a sua convicção.

A favor da traição: a questão dos negros que lutaram pelos farroupilhas, era um óbice à paz; os republicanos exigiam alforria para todos e, com isso, criavam um brete às negociações com os imperiais. Para os líderes da corte, mesmo querendo resolver logo a questão sulina, a instituição do escravagismo continuava sendo um forte instrumento de unificação nacional, algo imexível: mesmo injusto, mesmo moralmente errado, era a forma de manter os “poderosos” donos de terras em paz e sintonia com o Império. É cínico, mas era assim que funcionava. Então, com o intuito de finalizar a guerra, o taquariense David Canabarro, mancomunado com Caxias, teria mandado, na madrugada de 14 de novembro, desarmar todos os escravos. Afirmam alguns a existência de uma carta de Caxias mandando o coronel Francisco Pedro de Abreu, o Pedro Moringue, atacar o acampamento e matar os desarmados lanceiros negros e poupar somente os brancos e índios. E assim foi feito. O Corpo de Lanceiros Negros, 600 valentes guerreiros, desarmados, desprotegidos, foi dizimado! Convenientemente, Canabarro e alguns altos oficiais tinham se retirado do acampamento para resolver problemas prementes. O entrave às negociações não existia mais. Três meses após, a paz foi assinada. Como prova da traição de Canabarro, ele foi processado pelos Republicanos. Não deu em nada, até porque que o julgamento foi na corte.

Contra, não houve traição, só uma fatalidade de guerra: Houve, isso sim, um ato isolado do louco Moringue que atacou o acampamento por moto-próprio, na tentativa de se promover junto a Caxias. Jamais Caxias (que, a par de ter sido um competente comandante, era um homem extremamente culto, inteligente, amante de ciência, foi um dos promotores da instalação no Rio de Janeiro do primeiro observatório astronômico brasileiro) daria tal ordem, e, na condição de governador da província, era o maior interessado na paz imediata. Havia um decreto de suspensão das armas, o armistício. As negociações pela paz estavam muito adiantadas. O desarmamento dos Lanceiros Negros inseria-se neste contexto. Mais duas provas irrefutáveis: o próprio Canabarro foi pego de surpresa e teve de fugir com suas roupas de baixo da tenda da sua amante, a “papagaia”(casada com um boticário/médico taquariense, de nome João Duarte, das tropas farrapas conhecido por “papagaio”); ora, se soubesse do ataque jamais seria pego com as calças na mão! A outra prova: o negociante republicano pela paz junto à Corte, o plenipotenciário Antônio Vicente da Fontoura, estava de viagem marcada para o Rio de Janeiro e dormiu no acampamento, tendo na fuga extraviado documentos importantes. Não faz senso! No seu diário, escreve Fontoura: - ”Bagé, 18 de novembro de 1844. Como são falíveis os juízos dos mortais! Minha carta de 13, e esta, bem o provam. Não quero fazer, porém, a descrição do revés que tivemos a 14, porque o Gabriel vai e ele que o conte. Fui feliz e tudo quanto nos pertence. Os meus possuelos foram-se. Ficou a Lindoca sem a sua caixa de tintas e a Bindunga sem o lenço!

Cada um julgue conforme sua consciência. Como já adrede afirmei neste texto, eu ainda não tenho(e talvez nunca o tenha) um juízo formado. Agora, eu negro, jamais festejaria o 20 de setembro sem que a questão fosse aclarada. Julgo fundamental que uma comissão de notáveis historiadores, gente com alto saber, com um mínimo de 50% de negros, estudasse o polêmico episódio e emitisse um parecer final. A verdade absoluta, verdadeira, até mesmo pelo tempo avançado, dificilmente será alcançada, mas, com critério, objetividade e isenção poderemos, sim,ao menos trazê-la uma distância mais próxima da realidade.

João Paulo Da Fontoura
Imagem: YouTube

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Preço e custo



Bem alto grita indigente:
Como é difícil pra gente
Viver neste ambiente sujo.
Morando dentro do lixo
Comendo que nem um bicho,
De mim mesmo às vezes fujo.

Chora mulher ao seu lado:
Que será que fiz de errado?
Por que perdi meu filhinho?
Sem ter pecado morreu.
Ninguém sofre mais que eu.
Oh, vida cheia de espinho!

Ébrio que perdeu a fé,
Quase não ficando em pé.
Discursa com dedo em riste:
Que mundo de sofrimento!
Me apresente um argumento
Que compense viver triste.

Eu não entendo o que fiz,
Mas quanta gente é feliz,
Que disto aqui longe passa,
Vai distribuindo sorriso,
Vivendo num paraíso,
Desconhecendo desgraça.

Parece até incoerência
Quando se vê indigência
Esquecem que são pessoas
Que sentem dores, tristezas,
Que têm vazias as mesas,
Mas parecem almas boas.

A Lei de Causa e Efeito
Não é apenas conceito.
Dá resposta convincente.
A todo erro, sem embargo,
Existe o remédio amargo
Na vida de muita gente.

Lei maior que determina,
Vem a Justiça Divina
Com adequada medida.
Ainda habita na Terra
Muito indivíduo que erra,
Ou que errou noutra vida.

Tudo tem seu preço e custo.
Deus é bom, perfeito e justo...
Partindo desta premissa,
Vem correto o resultado
Resta ser resignado
Com a Divina Justiça.

W. F. Aquino

Imagem:Kardeciano - blogger

sábado, 22 de julho de 2017

Comigo ainda viverás...







Lamino-te as bordas para não ver-te despida.
Tão linda quando criada, ainda tem belezas para acrescentar.
Mãos que tecem glórias querem ver-te brilhar ao mundo.
Passa-se o fundo e cobrem-se os riscos das desigualdades.




Lamino-te a face perfeita para ver-te mais que perfeita!...
Para sorrirem e brilharem os olhares sobre ti.
Deitada ou de pé, olhem quem quiser...serás apenas tu.
Tens o espelho para o mundo, e o brilhar do inocente...




Cuido-te para não machucares a perfeição da obra do Criador...
Protejo-te para que os olhos da humanidade não destruam o projeto.
Sei que o brilho dos anéis, mais te ofertam. Poucos te valorizam...
Tu tens a dar!...e recebes. Muitos soqueiam-te e jogam-te ao alto.




Seco tua face molhada, limpo tuas pernas, passo um pano no teu corpo e te abraço...
Visto-te de emoção o branco e vermelho, porque paz e paixão andam juntos.
Perfumo-te para tirar o embriagado cheiro. Retomo-te, és minha...
Foram meus braços e minhas mãos que fizeram-te nascer! És minha mesa preferida.




Celso Ferruda, poeta marceneiro
Comendador na Embaixada da Poesia
Direitos reservados (é lei)

sábado, 15 de julho de 2017

Boca de siri




O título deste texto é uma expressão quase em desuso,    mas que já foi da moda no passado, quando queríamos que alguém guardasse segredo de uma descoberta muito importante. Ela me vem à lembrança no presente, por conta da megatentativa da Policia Federal em moralizar o país.

Cresci num arrabalde, meio urbano, meio campestre, mais chegado para a natureza do que para o cimento armado. Costumávamos à tarde, mal chegados da escola, sair pelo campo, à procura de diversão.

Certo dia, descobrimos num tronco apodrecido, uma enorme colmeia, abarrotada de mel. Decidimos que uma descoberta tão valiosa deveria permanecer em segredo, portanto, boca de siri. Ninguém mais poderia saber da sua existência.

Retornamos para casa, trazendo algumas amostras e tivemos que justificar a sua procedência. Mesmo assim, o segredo e a colmeia se mantiveram por dois ou três dias, até que a notícia se espalhasse.

A partir dai, foi um verdadeiro alvoroço. Todo mundo queria retirar um pouquinho do mel. As mães diziam que ele era medicinal, atuava contra as infecções de garganta.

 A criançada queria se esbaldar, o mel é doce e o que é mais doce e saudável do que o mel natural, direto da fonte? Havia até um ou outro comerciante dando uma espiada, para saber se de lá poderia tirar algum proveito. Enfim, mexemos numa abelheira, sem termos competência para melar.

Depois de uma semana, o cenário era desolador. Restos de favo espalhados pelo chão, o tronco hospedeiro feito em pedaços e o pior, os ovos e as larvas do enxame pisoteados e sendo arrastados pelas formigas.

Passado tanto tempo daquele episódio, por mais ingênuo e singelo que possa parecer, faço aqui uma analogia das minhas peraltices de criança, com o que os políticos fizeram com a gigante Petrobras. Descobriram uma fonte rica e saudável, a qual julgaram ser de recursos inesgotáveis.E não souberam guardar o segredo.

Apesar do gigantismo, a fonte expôs suas fragilidades e por ali penetraram os predadores. Gananciosos, foram longe demais e perderam o controle. Inicialmente, a fonte alimentava pequenos feudos, mas com o passar do tempo, toda a corte se habilitou.

Em um país onde o povo é politicamente submisso,  como somos, tudo pode acontecer. Nossos valores positivos há muito que se perderam no tempo e hoje, o que mais consumimos são: fraudes e corrupção.

Precisamos criar um fato novo, botando a “boca no trombone”, mostrando indignação e que, se às vezes agimos como cordeiros, quando acuados, também saberemos morder como lobos.
Anildo M. da Silva


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Perdão





Um moribundo sou sem teu perdão
Que vaga triste pelo mundo afora
Já sinto a morte me estendendo a mão
Não tenho tempo de partir agora

Eu não mereço nem tua presença
Nem mesmo clamo pelo teu olhar
Eu só não quero abandonar a crença
De ver um dia o teu perdão chegar

Não mais almejo nem o teu carinho
Que alimentava outrora o nosso ninho
Antes da hora da tua despedida

Se teu perdão um dia acontecer
Eu poderei então feliz morrer
Com tua imagem à mente refletida


 J. G. Ribeiro
Imagem: Cléofas

sábado, 1 de julho de 2017

Anjos Celestes






Luzes celestes acendem talentos
O livro da vida também ilumina
Seres humanos com seus passos lentos
Tal como o sol no céu se declina

Às vozes do céu, estejamos atentos,
Como substância de água cristalina,
Se absorvermos bons ensinamentos,
Na alma refletem a chama divina

Corrigindo erros, aparando arestas
Estes arquitetos desta grande empresa
São almas sinceras, prodigiosas mestras

Diuturnamente, na própria natureza
Anjos celestes, grandiosas orquestras,
São luzes divinas, com toda certeza.


W. F. Aquino
Imagem: assunto sobrenatural


sexta-feira, 16 de junho de 2017

A Rosa e o Vinho




O que tem a rosa e o que tem o vinho,
que tanto encantam os apaixonados?
-jantar romântico, casa-se a rosa com o vinho....
Se correspondido, levo a rosa, á menina.
Ela a mim, uma taça com um delicioso vinho...


Menina triste, solitária, desencantada,
arranca da rosa a pétala e cheira seu perfume.
No triste lamento do enamorado,
uma taça com vinho na mesa,
dois, três.. venham outros mais...


Vinho na mesa, certeza da rosa na cama...
um brinde a mais, o amor chama, ...
a rosa exclama:-o vinho é demais!...
Tira a fronha, tira o lençol, tira meu sono..


Tira tudo. Até meu abandono,
o vinho é tua saliva, tu, meu dono...
-a rosa minha companheira
entrego-me a noite inteira...e por amor


Mas o que há neste vinho e nesta flor?
-há, senhor,um pouco de mim,
também muito dela, sim senhora...
eles são minha vida!- meus sedutores
meus amores a qualquer hora...

Celso Ferruda
Imagens: via Google

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Acalento




Venho de longe lá de longe venho
Só pra te ver, ó minha doce amada,
Viver os sonhos que na noite tenho
Fazer o pranto se tornar calado

Eu quero ver-te nesta noite fria
Sem mais esperas quero te falar
Ver teu sorriso sóbrio de magia
Dos teus desejos quero partilhar

Quero envolver-te no tempo infinito
Ouvir na alma o eco do teu grito
Viver contigo em novo firmamento

Fazer de ti de todas a mais bela
A mais graciosa deusa desta terra
Te adormecer ao som de um acalento

J. G. Ribeiro

Imagem: Twitter

domingo, 14 de maio de 2017

A cota de cada um



Cada um vem com missão
Tarefa, luz ou labor
Inteligência e razão
Coube ao ser orientador

Para operário ou doutor
Cabe importante fração
A todo administrador
Os rumos de uma nação

Jamais faça pouco caso
Do braçal trabalhador
Cada alma tem seu vaso

Cada homem seu valor
Nada existe por acaso
Ao coração cabe amor.

W. F. Aquino
Imagem: Diocese de Caratinga



sábado, 22 de abril de 2017

O Sol e o Mar



O dia já não é tão belo assim
O sol se vai lá do azul do céu
A branca névoa cobre todo o anil
E faz cair o seu intenso véu

Mas tenta o sol de novo aparecer
Timidamente ao fim do horizonte
Tão forte a névoa vem para rever
A luz do sol que de novo se esconde

Restos de luz bailando pelo ar
Entristecendo e deprimindo o mar
Que desolado vê o sol morrer

Enquanto um breve vento se apresenta
Para tirar de cena a névoa tenta
Propondo ao sol se restabelecer




J.G.Ribeiro 
Imagem: itravelthereforeiam.wordpress.com