sábado, 16 de junho de 2012

62ª Carta de Ivan

                                  


 Porto Alegre, 12 de junho de 1968, às 21h 

Jovem menina!

            Salve o dia dos namorados! Salve a Maria de Lourdes que tanto adoro!
            Quero ser teu namorado mesmo depois de noivos e casados. A responsabilidade de fazer-te feliz é grande, e por ti, muito farei, amor, sem prometer milagres, mas, esforço, boa vontade e dedicação. Parabéns por te manteres próxima a mim pelas cartas, que chegam sempre perfumadas e com o carinho de tuas palavras.

            Num mundo com alto grau de corrupção, como este em que vivemos, existem pessoas falando em liberalismo, independência e amor livre. Infelizmente, tais pessoas não pensam em viver com uma única mulher, para satisfazê-la, dar-lhe amor, atenção, e juntos serem felizes. Estou convicto que, assim como estamos agindo, nosso amor tende a crescer e dar bons frutos. Está sendo construído em base sólida, carta sobre carta, visando conhecimento, segurança e o sucesso de ambos. Estacionar, nem pensar, precisamos nos manter ocupados, porque, de parasitas o mundo está cheio. Cheio de gente infeliz, sem Deus, por distorcer o verdadeiro sentido da vida e não saber amar.

            Espero que compreendas minha luta e continues participando dela. Não pretendo me alienar dos problemas de nossa sociedade, mas antes, procurarei conhecer-te melhor, bem como a tudo que te faça feliz. Seria bom se eu pudesse desvendar os segredos ocultos em teu íntimo, para saber como agir em cada situação. Assim descobriria facilmente o que precisas para te realizar plenamente. O problema é que não enxergamos muito além da matéria. Temos nossas preferências, e para descobri-las é necessário paciência, diálogo e muito amor no coração.

            O cérebro comanda nossas ações. Trabalha para desenvolver e alimentar a inteligência, os pensamentos, a imaginação. Do cérebro emanam as grandes ideias. O corpo é escravo da vontade inteligente e racional. Algumas pessoas sentem-se infelizes, dizem que ninguém as entende, justamente porque estão acomodadas e não se interessam por este aspecto da felicidade. Por isso, é bom instruir-se, ler bastante sobre diversos assuntos, para desenvolver uma cultura geral e poder assumir uma posição firme, quando questionado.

            Peço-te que releves alguma palavra mal colocada, pois não sou um expert no assunto, apenas te amo, adoro e quero, de toda a minha alma. Tenho certeza que juntinhos seremos felizes. Meu desejo é que ao passares por esta Terra, ao final, possas dizer: procurei pela verdadeira felicidade, a encontrei e fui muito feliz.

            Ao mesmo tempo que escrevo, sinto um inexplicável enlevo espiritual. És poderosa! Imaginei-me dizendo, por entre os teus cabelos, coisas bonitas que gostas de ouvir; fazendo os carinhos que desejas, com amor e consideração. E meus olhos se encheram de lágrimas. Lágrimas de amor e emoção.

            Quero que um dia sejas minha esposa, mãe de nossos filhos e depois, com a graça de Deus, continuarei a te adorar, e aos nossos filhos também.

            Até amanhã, minha princesa Lourdes. Do namorado, que te abraça com respeito. Ivan.
Ivan Hoffmann
Imagem: Google
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quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Bombom Solitário


Estavam faltando pão, algumas frutas e outras coisinhas. Era uma tarde ensolarada daquelas em que dá vontade de bater pernas e sentir o vento acariciando o rosto. O outono estava se despedindo, folhas de cores vibrantes e outras nem tanto davam aquele colorido característico desta época do ano. Véspera de Dia dos Namorados! Sofia resolveu dar um pulo no mercado, aquele que ela gostava. Tinha tudo. Pra quê caminhar mais? Estava tudo a mão, e, quem sabe, naquele dia poderia “pintar” um namorado. Há algum tempo estava à procura de um homem que preenchesse os requisitos por ela apontados como idéias. Necessariamente não precisava ser nenhum príncipe montado em seu cavalo branco nem tampouco um marajá coberto de ouro. Simplesmente um homem educado, agradável, romântico, correto, que gostasse de natureza, de dança, enfim para viver as coisas que a vida oferece. Fez suas compras, pagou no caixa e procurou um banco para sentar e arrumar a bol­as. O único banco disponível estava ocupado por um senhor. Pediu licença e sentou. Eis que o dito cavalheiro puxou conversa e lá pelas tantas a convidou para tomar um café. Por que não? Conversa vai conversa vem, ouviu entre muitos elogios e declarações, aquilo que ela buscava. Um namorado! Parecia tudo perfeito. Cada um ganhou um bombom e como ele não apreciava chocolate preto (só o branco) deu a ela o seu. Levou-a para casa, trocaram telefones, tudo perfeito. No outro dia, “Dias dos Namorados”, nada! Nenhum telefonema. À noite, Sofia em seu apartamento, saboreou o bombom solitário.


Pensamentos

O sol
 Aquece vales e montanhas
Seu amor
Aquece meu coração

 No minuano cavalgo pelos céus do Rio Grande.


Verena Backes
 Escritora poeta e ativista cultural.

Imagem: Google

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Noite dos Namorados


Na calada da noite, ouço um chamado.
Abro os olhos e no alto vejo
Uma deusa de branco cheia de desejos
A mirar-me e acenar para mim.

Ainda meio moribundo, levanto.
Seguro firme a sua mão, e voamos.
Por entre nuvens e estrelas vamos,
Parecendo-nos um voo sem fim.

E quando o sol já se apresentava,
Acordei em minha cama faceiro
Abraçado ao meu fiel travesseiro,
Beijando a tua face carmim.

J. G. Ribeiro
Imagem: Google
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sexta-feira, 8 de junho de 2012

É proibido chorar























Os males são efêmeros.
Transitórios são os sofrimentos.
Não pense. Não sinta. Não chore.
Pranto não há que demore.
O bem, o amor, o carinho
Batem à porta de quem quer abrir.
É tempo de amar, é tempo de cantar,
É tempo de saudade,
De carinhos, de risos e felicidade. 
É preciso cantar toda hora
Espantar os “valentes” que querem
Velas e choros de nós.
Busca ao vento a ternura e a paz,
Leva para longe a aflição e a dor,
Traze para perto o afago e a luz,
Vive com alegria, paixão e amor.
Levanta bem cedo e corre pelos campos,
Respira o ar pura da fresca manhã,
Apanha uma flor, aspira o perfume,
Grita, e canta, e olha o cardume
De peixes que descem o regato.
Olha para o alto e chama os pássaros,
Desce a colina e os montes
Sobe para ver o além.
Sorri. Ama. Sorri.
Volta de braços abertos cantando,
Vive. Ama. Não chores.
Grita ao mundo, em voz ardente:
É proibido chorar.

Erony Flores

Imagem: Google

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Chuva na Vidraça



Olho para a rua.
Vejo tudo calmo. De repente,
Uma nuvem no céu e tudo se transforma.
A vida de mãos dadas com a amplidão
Agiganta-se diante da natureza bela.
O sol se apaga, o céu fica escuro
E vejo, então, chuva na vidraça.

Contemplo a vida.
Vejo a imensidão das coisas.
A natureza é bela, grande é o meu fracasso.
A solidão eterna embriaga o coração
E faz a dor desaparecer.
Fujo de tudo, fujo da própria vida,
Mas vejo sempre cintilante
A chuva na vidraça.

Sentindo que errei por toda a vida,
Encerro-me em meu quarto e penso.
Muitas pessoas passam pela rua,
E eu, desconcertado, olho ao longe...
Não vejo nada, só a mente imagina.
Sinto apagados de mim todos os sonhos.
Evoco o passado, recordo feliz.
Choro, rio e tudo passa
E vejo novamente
A chuva na vidraça

O caminho da vida é turvo.
Mulheres choram nos cabarés.
Homens dissolutos buscam alegrias.
O destino de todos, águia negra,
Tolda a felicidade e a fé.
Crianças clamam por carinho,
E nós, sofredores calados,
Vemos na plácida miséria
Quanto somos inúteis nesta vida...
E vendo tudo isso, sentindo a nostalgia,
Medito e penso calmamente,
Mas vejo tão somente
Chuva na vidraça.

Erony Flores

Imagem: Google

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sábado, 19 de maio de 2012

Quem matou o bode expiatório?




Não há nesta vida quem não tenha sido culpado de algo sem ao menos saber do que estava sendo acusado. Entre irmãos é muito comum um pagar a culpa pelo outro, tornando-se o bode expiatório da família, estigma  este  que às vezes acompanha-o vida afora.

Sacrifícios e sacrificados sempre existiram, pois a humanidade parece que já nasceu com ânsias de encontrar o seu “bode expiatório”, alguém para apontar o dedo e dizer: “É ele. Cortem-lhe a cabeça”. Inda que o “ele” não tenha nada a ver com o pato- ou seja- é o próprio bode sendo levado mansamente para ser sacrificado no altar da intolerância, da injustiça dos egos alheios.

Pecado? Sempre existiu. Desde Moisés, aliás, desde Adão e Eva que perderam o Paraíso, após Eva sucumbir à tentação da Serpente. Eis aí que nasce o nosso primeiro bode expiatório. Depois vieram as “bruxas”, sacrificadas e purificadas nas fogueiras – bodes expiatórios, expiando a “culpa” de ser mulher? De querer exercer um direito?

Na Tora, ou Pentateuco, livro sagrado que foi revelado diretamente por Deus, de acordo com os judeus, mencionam-se dois bodes sendo levados ao lugar de sacrifício, no Templo de Jerusalém. Um dos bodes era então sorteado pelos sacerdotes do Templo para ser queimado em holocausto (do grego: queimado) no altar de sacrifício juntamente com um touro. Assim o segundo tornava-se o bode expiatório, o sacerdote colocava suas mãos sobre a cabeça do animal e confessava os pecados do povo de Israel, ato seguinte o bode era deixado durante a noite na natureza selvagem a sua própria sorte, dessa maneira expiando os pecados de todos.

Já na Bíblia é mencionado (Levítico) Jesus, que foi para nós, cristãos, o maior “bode expiatório”, ao se deixar sacrificar, lava os pecados da humanidade. Terá valido a pena? A meu ver a humanidade redobrou os pecados, basta lembrar o holocausto em que judeus foram barbaramente mortos durante o período nazista, pois eram, segundo Hitler, além de impuros, culpados pelo colapso político e econômico da Alemanha, somam-se aí mais de seis milhões de bodes expiatórios.

Outro fato de suma importância para a humanidade nos revela que ele - o livro - se torna o próprio bode expiatório. Segundo fontes seguras sabe-se que “El ingenioso hidalgo Don Quijote de La Mancha - O Cavaleiro da Triste Figura” perde o juízo, aventura-se pelo mundo para viver seu próprio romance de cavaleiro andante, após ter lido muitos livros de cavalaria e estes, como todos os bodes expiatórios, também vai para a fogueira.

Gladys Gimenez

Imagem: Google

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sábado, 12 de maio de 2012

MÃE


















Não existe amor maior.
Não existe dedicação maior.
Não existe carinho maior.
Não existe perseverança maior.
Enfim, existe tudo isto dentro do teu sagrado coração.

Helio Rohten

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sexta-feira, 11 de maio de 2012

MÃE
















Melódica voz dispersando-se ao vento...
Mel e néctar são súplicas pelo filho.
Mãe, que nunca se poupa de sacrifícios,
Merece o bem e celestial cuidado,
Mestra do amor, cobre o rebento,
Memorável quadro que fascina a lua,
Momento digno do pincel de Van Gogh.


Mardilê Friedrich Fabre

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domingo, 6 de maio de 2012

Partilha



O direito é dela.
O desejo é meu.
A presença é dela.
O pensamento é meu.
O sono é dela.
O sonho é meu.
O dever é para ela .
O prazer é para mim.
Os olhares são dela.
O coração é meu.
O convívio é dela.
A vida é minha.
O corpo é dela.
A  alma é minha.
O dia a dia é dela .      
 A eternidade é minha.  


Maria Inês Daudt

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