Mostrando postagens com marcador Anildo Martins da Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anildo Martins da Silva. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de maio de 2018

Entre Davis e Golias




Desde os primeiros anos de minha infância, eu já era fascinado pela passagem bíblica que narra o enfrentamento do jovem Davi, contra o gigante Golias. E passado algum tempo, quando corria descalço pelas avenidas do bairro e, por acaso, me deparava com um episódio semelhante, costumava chamar o grandão de prevalecido e ficava torcendo pelo baixinho. Acho que este comportamento faz parte do espírito justiceiro que carregamos desde os mais tenros dias de nossas vidas. Esse sentimento de solidariedade com os “mais fracos” é influência dos valores pessoais que herdamos de nossos pais, da sociedade organizada, do que nos foi transmitido pela literatura e até mesmo pelas tradições milenares.

Aqueles eram os tempos dos famosos contos de fada, sempre culminando com a vitória do bem sobre o mal. Palavras tão fortes, que no caso do simpático Davi, ainda hoje, creio que, se fizéssemos uma pesquisa, ele teria quase cem por cento da simpatia popular, sobrando muito pouco em favor do grandalhão. Pois, afora os ensinamentos contidos nas entrelinhas do famoso texto bíblico e das tentativas dos contos de fada em condicionar nossas atitudes, na realidade costumamos assistir a vitórias para os dois lados. E quando o vencedor é o gigante, quedamos impotentes, na certeza de que nada mais seria possível fazer, além do que foi feito. Ficam apenas as famosas lições de vida que nos dão o equilíbrio para aprendermos a aceitar as derrotas e delas tirarmos algo de bom.

Estive há poucos dias no front, cerrando fileiras pró Davi e lutando desesperado contra um gigante horroroso, cruel e impiedoso: o câncer. E foi uma batalha sem tréguas. Descia a noite, raiava o dia, mas não se deslumbrava o seu fim. Lutei por um Davi de espírito suave, altruísta. Era trabalhador combativo, bom caráter, amigo comprometido. Sabia como ninguém ser generoso e fiel. Seu gigantismo era o intelecto, pouco lhe importava o bem material. Cresci seguindo os seus passos, pois nascemos da mesma Maria, mas na hora decisiva, todos ficaram para trás, filhos, esposa, irmãos. Ele avançou ladeado por seus guardiões, todos qualificados, mergulhado em silêncio, peito estufado, cabeça erguida, para o duelo derradeiro. Na retaguarda, éramos um batalhão; na frente, apenas o inimigo. Um inimigo silencioso, traiçoeiro, um fantasma que lhe invadiu as entranhas, vindo de onde ninguém sabe, mas que dele se apoderou e nele se espalhou, como um veneno mortal. Ao pelotão de defesa não faltou coragem, empenho, aviso de alerta, mas ao final da luta, apenas desespero e aflição. Nosso Davi era muito valente, mas enfrentou uma enfermidade agressiva, traiçoeira, tornando a batalha desigual.

Restou não só a tristeza e a saudade, mas também muito orgulho, que só os mais fortes conseguem despertar em nós. E os fortes, jamais serão vencidos, partem mundo afora e sabe-se lá onde irão recomeçar.

Anildo Martins da Silva
Imagem: JW.org

domingo, 7 de janeiro de 2018

Nossa rotina e o Homem das Cavernas




No princípio, quando na Terra a Natureza era pujante, o homem das cavernas não muito alto, mas robusto, era essencialmente carnívoro e dedicava-se com afinco às caçadas de animais na maioria das vezes ferozes. Divertia-se, trabalhando. Embrenhava-se na mata, na época fechada, espinhenta e varava as noites na espreita da fera, geralmente mais forte que ele próprio. Lanhava-se todo, sofria cortes, mordidas e arranhões, mas dominava a presa e, ao cair da tarde, de volta para sua caverna, era recebido carinhosamente por suas amadas. Sim, amadas, pois eram tempos de poligamia. Carneava a caça com presteza, comia a sua parte e após banhar-se nas águas límpidas e frescas de uma fonte cristalina, mergulhava em sono profundo sob o olhar atento de seu harém. E esta era a sua rotina.

Na caverna, não havia mobília e dormia ao rés do chão. As paredes eram lisas e úmidas e os restos de comida ficavam dependurados nas árvores, em lugar seguro, para evitar que um corvo faminto viesse saciar sua fome. Aos vinte e oito anos, entediado, corpo coberto de cicatrizes, transferia seu único patrimônio, as concubinas, para outro guerreiro e procurava uma pedra, no alto de uma coxilha, à sombra de um ingazeiro e esperava a morte chegar. Não a temia, pelo contrário, festejava o seu ocaso, pela certeza do dever cumprido.

Mesmo que na narrativa acima eu tenha fantasiado a história, a rotina desta figura pré-histórica e de hábitos rudimentares representa para muitos, ainda hoje, o modelo de convivência ideal, o homem em harmonia com a Natureza. Entretanto, o homem moderno, em nada lembra o seu ancestral. Ainda que, a própria Natureza conserve seus encantos, o habitat do guerreiro se tornou agressivo, inseguro.

Na esteira do desenvolvimento vieram as inovações tecnológicas. Na Terra de hoje, impera o cinza e o que era lúdico se transformou em uma dura realidade. Para fugirmos do inferno da BR 116, viajamos em pé num trem lotado, não climatizado e barulhento. Para quem tem trabalho, esta é uma rotina. Para quem está desempregado, a rotina é outra: olho nos classificados, bater pernas pela cidade ou amanhecer na porta do CINE, na esperança de ser contratado e já sabendo que terá que pelear até a terceira idade. Elevador pifado, esquecer a senha do banco, apagão elétrico e greve nos serviços essenciais, são apenas atrapalhações da vida.Mães descartando recém nascidos, motoristas bêbados atropelando pedestres, já são consequências da neurose coletiva.Na volta ao lar, ouço que devido ao calorão ventou forte, caiu o sinal da televisão, a Internet está fora do ar.

 Caramba, como era feliz o homem das cavernas!



Anildo Martins da Silva
Imagem: clickpb.com.br 

sábado, 9 de setembro de 2017

A professora, não!



Quando me pedem para relembrar algum episódio agradável ocorrido na minha infância, entre tantas boas lembranças, certamente não faltará alguma escaramuça escolar. A escola para mim, era tudo de bom.Isto porque, saí do ambiente sisudo, adulto e de poucas palavras da minha casa, para um mundo louco, descontraído, de correria, brincadeiras irreverente, mas muito meu. Crianças, muitas crianças, fazendo tudo o que as crianças podiam fazer. De repente, ouvia-se o som meio abafado de uma sineta e de pé, no topo da escada, uma professora chamava:

- Façam filas para entrarem nas salas!

Que ambiente maravilhoso! Que energia positiva! E que professoras! Lembro-me de todas, lembro dos nomes e se puxar um pouco pela memória, talvez ainda saiba os sobrenomes. De algumas me lembro do sorriso, de outras do rosto cordial, por vezes uma voz severa, mas sempre um conselho proveitoso. Nunca fui um exemplo de aluno e as reprimendas que eventualmente recebi foram graças ao meu temperamento indócil.Professoras sempre representaram muito para mim.Com sua singeleza e sensibilidade apurada, conseguiam me fazer aceitar o autoritarismo exacerbado do meu pai e colocá-lo na galeria dos heróis, onde todos os pais deveriam estar. Lá, eu conseguia liberar um pouco mais as minhas emoções, dialogar com os meus iguais, arriscar uma arte sem receber castigo. As pessoas que agora estão lendo estes meus escritos, não pensem que estou delirando, ou talvez chegando ao planeta Terra vindo de outra galáxia. Esta escola tão acolhedora, com professoras tão maravilhosas, que na década de 1960 me recebeu e me transformou, existe sim, tem nome e tem endereço. Renovou o corpo docente é claro, mas os objetivos são os mesmos. Então, o que mudou? Nós mudamos, a sociedade adoeceu, é um embrutecimento coletivo, consequência da ganância desmesurada e da sede do poder sem limites. Lemos, ouvimos e vemos todos os dias, notícias ruins vindas de todos os lados, dando-nos conta de que o amor entre as pessoas já não tem a mesma conotação. Filhos matando os pais, mães descartando filhos, cresce o abismo entre os irmãos. Ouço que no interior do estado um aluno foi pego dentro da escola, portando uma espingarda para matar uma professora, seu desafeto. Pelo amor de Deus, as professoras não! Elas, ou eles, são o último baluarte, a última esperança que temos de reconstrução de uma sociedade íntegra, justa e produtiva. Aos pistoleiros de plantão, se querem destruir, procurem ajuda e destruam o que tem de ruim dentro de vocês, mas deixem os professores em paz.

Anildo M. da Silva –Aposentado.

Imagem: Ensaios de gênero – Word Press.com

sábado, 15 de julho de 2017

Boca de siri




O título deste texto é uma expressão quase em desuso,    mas que já foi da moda no passado, quando queríamos que alguém guardasse segredo de uma descoberta muito importante. Ela me vem à lembrança no presente, por conta da megatentativa da Policia Federal em moralizar o país.

Cresci num arrabalde, meio urbano, meio campestre, mais chegado para a natureza do que para o cimento armado. Costumávamos à tarde, mal chegados da escola, sair pelo campo, à procura de diversão.

Certo dia, descobrimos num tronco apodrecido, uma enorme colmeia, abarrotada de mel. Decidimos que uma descoberta tão valiosa deveria permanecer em segredo, portanto, boca de siri. Ninguém mais poderia saber da sua existência.

Retornamos para casa, trazendo algumas amostras e tivemos que justificar a sua procedência. Mesmo assim, o segredo e a colmeia se mantiveram por dois ou três dias, até que a notícia se espalhasse.

A partir dai, foi um verdadeiro alvoroço. Todo mundo queria retirar um pouquinho do mel. As mães diziam que ele era medicinal, atuava contra as infecções de garganta.

 A criançada queria se esbaldar, o mel é doce e o que é mais doce e saudável do que o mel natural, direto da fonte? Havia até um ou outro comerciante dando uma espiada, para saber se de lá poderia tirar algum proveito. Enfim, mexemos numa abelheira, sem termos competência para melar.

Depois de uma semana, o cenário era desolador. Restos de favo espalhados pelo chão, o tronco hospedeiro feito em pedaços e o pior, os ovos e as larvas do enxame pisoteados e sendo arrastados pelas formigas.

Passado tanto tempo daquele episódio, por mais ingênuo e singelo que possa parecer, faço aqui uma analogia das minhas peraltices de criança, com o que os políticos fizeram com a gigante Petrobras. Descobriram uma fonte rica e saudável, a qual julgaram ser de recursos inesgotáveis.E não souberam guardar o segredo.

Apesar do gigantismo, a fonte expôs suas fragilidades e por ali penetraram os predadores. Gananciosos, foram longe demais e perderam o controle. Inicialmente, a fonte alimentava pequenos feudos, mas com o passar do tempo, toda a corte se habilitou.

Em um país onde o povo é politicamente submisso,  como somos, tudo pode acontecer. Nossos valores positivos há muito que se perderam no tempo e hoje, o que mais consumimos são: fraudes e corrupção.

Precisamos criar um fato novo, botando a “boca no trombone”, mostrando indignação e que, se às vezes agimos como cordeiros, quando acuados, também saberemos morder como lobos.
Anildo M. da Silva


sexta-feira, 17 de março de 2017

Ensinar era mais fácil






Está aberto o debate sobre a reforma do Ensino Médio. É um assunto para ser discutido por quem entende do “riscado”.

Contudo, todos nós temos um mínimo de experiência nesta área, pelo simples fato de que um dia também fomos alfabetizados, e os exemplos existem para serem utilizados. Creio ter dado algum trabalho às minhas queridas educadoras da época, pois era uma criança rebelde e briguenta, mas as dificuldades paravam por aí. Sim, porque desde os primeiros dias de aula, o aprendizado para mim passou a ser um desafio: precisava aprender a ler e a escrever disciplinadamente, para no ano seguinte trocar de turma. Não que aquela em que eu me encontrava fosse ruim, mas a minha motivação estava na primeira série “A”. Lá estava uma loirinha de olhos castanhos e acesos que me acelerava o coração logo pela manhã, quando eu passava defronte a sua casa, espremido entre tarros de leite, na carroça do seu Cristino, um bondoso leiteiro com quem eu pegava uma carona desde a minha residência, até o coleginho da dona Joana, como o chamavam carinhosamente, situado lá pelos lados do Fião.

Em conversa informal e respeitosa na hora do recreio, coloquei para uma das professoras que gostaria de trocar de sala. A resposta foi desafiadora. Aquela turma que eu tanto desejava estava mais adiantada que a nossa, porque os alunos haviam chegado à escola já semialfabetizados, ao passo que o meu grupo, apenas iniciava os primeiros contatos com o material escolar.

Mas não me abati. Só me restava um caminho, estudar, aprender a ler e escrever, ser um dos melhores, para no ano seguinte – devidamente aprovado – merecer fazer parte do segundo ano “A”, onde ela, por certo, estaria. Dediquei-me com afinco e já no fim do primeiro semestre, soletrava notícias de jornal para o meu pai que, orgulhoso, pedia que eu repetisse na presença dos meus tios.

Passei de ano, conquistei o tão sonhado lugar entre os mais adiantados, mas os meus interesses mudaram. É claro que a loirinha, minha primeira paixão, nunca soube dos meus sentimentos, mas sua beleza foi o motivo de tanto devotamento. Algo muito simples, que ainda existe até hoje entre os nossos meninos e meninas, quando bem orientados.

Evasão, repetência, autoestima, não se resolvem com decretos, mas com um bom programa de estímulo à educação, começando pela valorização do convívio familiar e dando condições decentes para a sobrevivência das pessoas.

Anildo Martins da Silva
E-mail: anildoms@yahoo.com.br

Imagem: Colégio Paulo Freire

sábado, 3 de setembro de 2016

Está faltando leitura



Sinto certo desânimo entre as pessoas com as quais comento as informações sobre o baixo desempenho de nossos jovens nas provas de redação do ENEM. Poucos acreditam em recuperação a curto prazo porque os jovens não leem jornais, livros ou revistas impressos. Penso que não é só por culpa deles. 

Creio que o excesso de mídias digitais suprimiu muito rapidamente costumes salutares como a pausa para a leitura, por exemplo, quando podíamos nos divertir com romances açucarados, aventuras e dramas emocionantes. Posso parecer saudosista, mas como eram bons aqueles romances de antigamente, embora adoçados com a cumplicidade da nossa imaginação! Talvez ingênuos demais, contudo criativos e atraentes. 

Lembro-me muito bem, com que volúpia eu devorava os romances de Karl May, narrando as aventuras do cacique apache Winnetou. Ou os arrepiantes contos policiais de Sir Arthur Conan Doyle nos quais o mais famoso detetive de todos os tempos, Sherlock Holmes, desvendava crimes escabrosos, como se tudo tivesse acontecido há dois metros do seu nariz. Ambos os autores, fizeram, e fazem ainda hoje, muito sucesso com suas histórias, e é difícil para qualquer amante da boa leitura, aceitar que seus contos são apenas fruto de uma boa criação literária. Durante muitos anos, o endereço do detetive Sherlock Holmes recebeu cartas, tentando contratar os seus eficientes serviços. 

Já o romancista alemão, Karl May, escreveu sobre as aventuras dos famosos apaches, contando detalhes sobre a flora e a fauna local, sem jamais ter colocado os pés no território dos guerreiros indígenas. Os tempos são outros, é claro, mas a meu ver, o problema está na troca do protagonismo. 

A leitura perdeu terreno no campo do entretenimento. Estamos vivendo a geração smartphone, com consequências diretas nas relações interpessoais, alterando inclusive a própria vivência familiar. Através da Internet, o aluno tem acesso a todo tipo de informação e não precisa copiar nada, o “prato” já vem servido, é só degustar. 

O problema é que estarão consumindo coisas prontas sem exercitarem seu potencial de criação e sem o acompanhamento da escola ou de algum professor que possa legitimar o conteúdo assimilado. Por este motivo não me surpreendo com o baixo índice de aprovação nas redações do ENEM. As escolas estão migrando ainda que legitimamente, para as telas com visores coloridos e os alunos usando os modernos equipamentos onde precisam apenas digitar. 

Diante desta evolução tecnológica, devemos pensar um novo paradigma educacional, que contemple uma constante evolução do conhecimento, mas com ênfase especial na gramática e na literatura que são matérias que cimentam o caminho para quem quiser mudar de patamar.

Anildo Martins da Silva
Imagem: leitura.com

(anildoms@yahoo.com.br)

domingo, 24 de julho de 2016

A liberdade de abraçar a Fé.



Hoje em dia é muito comum ouvirmos das pessoas, que “somos o produto de nossas escolhas”. É uma frase um pouco genérica, mas tem conteúdo. Apesar de que, a mais importante escolha da minha vida, tenha sido influenciada pelos meus pais, pois nasci católico por opção deles e na juventude, quando mantive a prática dos seus fundamentos, foi para não contrariar a tradição da família.

Lembro dos domingo pela manhã, o pai empertigado, vestindo um terninho surrado, a mãe com a cabeça coberta pelo véu branco e rendado e nós, seguindo logo atrás, até a igreja, onde ocupávamos a metade de um banco, isto quando não iam todos os filhos. Portanto, cresci católico e não protestante, por exemplo.

Ouvia dizer que os protestantes seguiam a doutrina de um cara que fora excomungado lá pela Idade Média. Mas sobre isto, eu pouco entendia. Certa vez, até interpelei a minha mãe sobre o assunto, mas ela não soube me explicar e apenas me disse: É eles lá e nós cá. 

E assim foi, até eu me apaixonar e por uma luterana. A reação em casa não foi das melhores. E, para os lados dela, tampouco. Tentei uma pausa para pensar, mas pensar o quê? 

Alguém aí pode me dizer se já viu ou ouviu dizer que um ser vivente desafiou os desejos do seu coração e venceu este músculo teimoso. Ele tem aliados poderosos que tudo veem e não escondem nada em seus relatos. 

Assim, decidimos em conjunto, tocar a vida em frente, aparando as arestas. Nem tanto pra lá, nem tanto pra cá, pois dizem que no meio está a virtude. 

E já se passaram quarenta anos. E não poderia ser diferente. O coração simboliza o amor e amor, provém de Deus. O amor é o sentimento que segura uma família, não só os parentes, mas todos aqueles que amamos e entre os amados, temos católicos e luteranos.

E isso foi fruto de nossas escolhas. Nossa união, teve respaldo na escolha do iluminado Martim Lutero, que não estava errado em suas reivindicações, mas foi vítima da incompreensão. Sua Reforma criou um caminho alternativo para quem quisesse seguir a Cristo com convicção e não apenas por obediência cega a uma certa hierarquia. 

Quando fiéis luteranos se preparam para comemorar os quinhentos anos da Reforma, percebemos o quanto ela foi importante para sedimentação do cristianismo e que jamais deveria ter sido usada para separar irmãos, amigos ou parentes. 

Que a força dos Quinhentos Anos, elimine qualquer resistência às pessoas de escolherem viver, segundo seus princípios religiosos.

Anildo Martins da Silva
E-mail:anildoms@yahoo.com.br

Imagem: rainhadetodosospovos.blogspot.com

domingo, 26 de junho de 2016

A força de todos nós.




Como está difícil para nós, brasileiros, no atual estado das coisas, ouvir, pensar e agir no sentido de produzir fatos positivos e melhorar ao menos, o ânimo das pessoas. A perplexidade é geral e mesmo aquelas pessoas que tentam dissimular os acontecimentos em prol de seus interesses, se sentem incomodadas com a possibilidade de um desfecho desastroso e que possa provocar,,além de uma fragmentação turbulenta,da sociedade, danos irreversíveis na economia do país. Convulsão social não interessa a ninguém,  mas o país estagnado, também não. Temos que colocar um ponto final em tudo isso. A magnitude dos acontecimentos assusta e também dificulta qualquer tentativa de consenso. Por este motivo, não acredito em solução para a crise, sem o aval da sociedade. Só a vontade popular poderá interferir no rumo dos acontecimentos, forçando com seu poder o Estado a mudar ou a sair. A governabilidade de uma nação se apóia, em princípio, na homogeneização das massas, na sua totalidade, não só de uma elite ou de um segmento ideológico. No ponto em que estamos, a sociedade tem que se aproximar, serrar fileiras sob a égide de uma só bandeira, em cujas cores ressaltamos o verde e o amarelo. Nosso país só voltará a ser viável, se movido pela indignação popular. Nenhum sistema de governo, em qualquer parte do mundo, resistirá por muito tempo, sem a sustentação da sociedade. No caso especifico do nosso sofrido Brasil, creio que o problema do momento, não seja somente a corrupção financeira, mas a falta de todos aqueles valores morais que fazem uma sociedade próspera e estável. Falta ética, moral, bons costumes e humanidade. Não pode seguir em frente um plano de governo imoral, desonesto  e isso vale para todos os poderes constituídos. A injustiça social é escandalosa, o que denota o distanciamento dos programas de governo da sociedade menos favorecida. As tão propaladas conquistas sociais que até aqui respaldavam as decisões do governo, caíram por terra ao se constatar que não passavam de quirelas de segunda, servidas em bandejas de prata, para saciar a fome de uma fatia de excluídos que de tão miserável, nada tinha a reclamar. Vamos nos unir, buscar bons exemplos em líderes que o país produziu no passado e, se não for suficiente, trazer de fora dele, mas vamos ajudar na solução.
Anildo Martins da Silva
email:anildoms@yahoo.com.br

Imagem:rondoniaempauta.com.br

sábado, 5 de dezembro de 2015

Qual é o seu Natal?


Sou oriundo de uma família numerosa e muito integrada. Por ser um dos últimos a nascer, sempre tive muitos privilégios e não me lembro de algum Natal sem receber pelo menos um presente. 
Era tudo muito simples e até um sabugo de milho com rodado de tampinhas de garrafa tinha lá os seus encantos. Mas a vedete mesmo era uma ambulância de madeira com o baú pintado de preto e branco, com os símbolos da polícia civil. Uma réplica perfeita do camburão de hoje. Trazia preso ao para-choque uma argolinha metálica onde amarrávamos um pedaço de cordão e saíamos levantando poeira pelo chão batido. São reminiscências de um passado longínquo, mas que nos comovia muito, porque representava o reencontro, todos juntos, a família completa. 
A mãe talvez fosse a pessoa mais feliz. Cansada, mas feliz. Uma semana antes, começava a encher as latas com bolachinhas, roscas e broas de polvilho. As cucas só saíam na véspera. Era tudo assado num forno caseiro e o fogo alimentado com galhos de acácia e maricá. A criançada mesmo se encarregava de juntar a lenha, porque os capões eram abundantes. 
Ao entardecer da véspera, sentávamos todos, lado a lado nos bancos da cozinha, o pai numa ponta e a mãe junto ao fogão, cevando o mate e esperando a hora do jantar. Não costumávamos trocar presentes, apenas as crianças eram agraciadas e de maneira modesta. O Natal daquela época era mais dentro das famílias. Celebrávamos Jesus na manjedoura. 
Não sou contra a exploração comercial que a sociedade consumista faz de uma data tão significativa. Mas este Natal é muito pobre. Fomenta o corre- corre, ao passo que o Natal é exatamente o contrário. É tempo de reflexão, de paz, solidariedade e tolerância. É tempo de abrir o coração, eliminar maledicências e dar espaço para o amor, a amizade e o companheirismo. Momento de escolhas. Em tempos natalinos, me recolho em silêncio, envolto por meus pensamentos, relembrando a paz da velha cozinha, a família e as rezas da minha mãe.  

Anildo M. da Silva
Imagem: uirauna.net

sábado, 7 de novembro de 2015

A metamorfose do gênero



Perguntaram-me outro dia, na fila do banco, o que eu pensava sobre o projeto de lei que transferia para as nossas crianças, a escolha do seu gênero sexual. Olhei para a pessoa, um senhor baixinho, de meia idade, boné vermelho já um pouco desbotado e que trazia estampado na aba, o nome de uma distribuidora de gás de cozinha. Diante do meu silêncio, ele repetiu a pergunta e me disse que o assunto estava sendo tratado em uma casa legislativa da região. Na hora desconversei, disse a ele que não ouvira nada a respeito, mas na verdade achei que o local não era apropriado para se desenvolver teses polêmicas. A começar pelo meu conhecimento com bases empíricas de um assunto de cunho universal, muito além de uma simples liberação de costumes ou até mesmo de uma mudança de paradigma de feminilidade ou masculinidade. Mas sim, de uma mudança física radical, com implicações emocionais e psicológicas diretas na formação da personalidade da pessoa. Se eu quisesse, por exemplo, jogar na defensiva, seguiria o conselho, politicamente correto, do meu líder religioso, papa Francisco, de que “homens e mulheres com tendências homossexuais devem ser acolhidos com respeito e dignidade”. E não avançaria mais no assunto. Neste caso, eu estaria apenas concordando com o conselho de um sacerdote celibatário com nenhuma vivencia efetiva no campo da sexualidade humana. Por outro lado, se me voltar para ciência e buscar uma resposta sob a luz da razão, descobriria que a antropologia classifica a orientação homossexual como uma “desordem objetiva”. De objetivo, sei que a biruta continua apontando para o lado que sopra o vento. As orientações dadas são sempre de acordo com os interesses que cada grupo tem no assunto e enquanto as discussões estiverem carregadas de ideologias, não haverá solução. Cada lado radicaliza mais que o outro chamando até de imbecil os seus opositores, evidenciando que apesar de vivermos num país, dito livre e democrático, as pessoas ainda não aprenderam a conviver com opiniões diversas das suas. É preciso que alguma coisa seja feita e o primeiro passo é acabar com o preconceito medieval que qualifica as pessoas por sua opção sexual. Mas também não posso aceitar a ideia absurda de que os pais após gerarem a criança, tenham que esperar até a mesma atingir a idade escolar para decidir se quer se manter em módulo original ou se transformar para viver até o seu selo de validade vencer, numa identidade genérica. E neste caso, será que as crianças teriam maturidade suficiente para entender o que a escolha de uma opção sexual acarreta?
Anildo Martins da Silva –Aposentado

E-mail:anildoms@yahoo.com.br
Imagem: mariabarriga.com.br