terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Em busca da paz


Silêncio...

O pequenino ser se empertiga preguiçosamente no ventre de sua mãe.

Tudo é paz...

De repente, sente como se estivesse sendo arrastado pela correnteza de um rio caudaloso, culminando numa explosão de luz e som. Seus olhos ardem, falta-lhe o ar...
Jogado no mundo, o pequeno grita e se debate, clamando pela paz que perdeu.

Nos primeiros anos de sua existência, quando pesadelos lhe assombravam as noites, ou joelhos ralados lhe corroíam a alma de dor, buscava no aconchego dos braços maternos a cura para  seus males, a volta ao estágio de Nirvana...a paz!

Doces beijos, roubados furtivamente na quermesse da igreja.

Sonhos, devaneios... Juras de amor eternizadas em alcovas de cetim, em lábios ardentes de carmim. Corpos entrelaçados em longos abraços, desejando que a paz sentida no êxtase do amor se eternize. Momentos efêmeros, de vida passageira, como o frescor das rosas que o tempo se encarrega de fazer murchar, definhar.

Varais de brancas e imaculadas fraldas, a abanarem ao sabor do vento sob o azul celestial... Paz!

Sonhos que se diluem como fragrância de perfumes...

Vitrines, saltos altos, neons, asfaltos.  Corações despedaçados, aros dourados jogados ao léu, para nunca mais. Gritos que se invadem, mergulho da ponte... Na busca da paz!

Grande cogumelo que se ergue e se derrama na forma de rosa – Rosa Mortífera desabrochada em nome da paz...

Silêncio...

Abismo...

Caos...

Vislumbre de luz no horizonte da branca ave mensageira, que traz em seu bico o ramo da vida, esperança e paz.

Jandira Weber
Imagem: imagesdaily.blogspot.com


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Perdida



Aliterações, anacoluto,
Anáfora e metáforas.
Estou perdida,
E a estrada é só ida.

E esse eco doido não retorna
As tolas perguntas que lhe fiz.
só sabe respostas tortas.
Por que a mães choram,
Os filhos morrem,
Os homens matam?
Apenas ecoam os vários ecos
Em mim.
O tempo que não para.
A saudade que lateja,
Os olhos que não choram.
O útero da noite
Que me abocanha,
Com as perguntas
Que não fiz.

Gladys Giménez
Imagem: flaviosiqueira.com 

sábado, 7 de novembro de 2015

A metamorfose do gênero



Perguntaram-me outro dia, na fila do banco, o que eu pensava sobre o projeto de lei que transferia para as nossas crianças, a escolha do seu gênero sexual. Olhei para a pessoa, um senhor baixinho, de meia idade, boné vermelho já um pouco desbotado e que trazia estampado na aba, o nome de uma distribuidora de gás de cozinha. Diante do meu silêncio, ele repetiu a pergunta e me disse que o assunto estava sendo tratado em uma casa legislativa da região. Na hora desconversei, disse a ele que não ouvira nada a respeito, mas na verdade achei que o local não era apropriado para se desenvolver teses polêmicas. A começar pelo meu conhecimento com bases empíricas de um assunto de cunho universal, muito além de uma simples liberação de costumes ou até mesmo de uma mudança de paradigma de feminilidade ou masculinidade. Mas sim, de uma mudança física radical, com implicações emocionais e psicológicas diretas na formação da personalidade da pessoa. Se eu quisesse, por exemplo, jogar na defensiva, seguiria o conselho, politicamente correto, do meu líder religioso, papa Francisco, de que “homens e mulheres com tendências homossexuais devem ser acolhidos com respeito e dignidade”. E não avançaria mais no assunto. Neste caso, eu estaria apenas concordando com o conselho de um sacerdote celibatário com nenhuma vivencia efetiva no campo da sexualidade humana. Por outro lado, se me voltar para ciência e buscar uma resposta sob a luz da razão, descobriria que a antropologia classifica a orientação homossexual como uma “desordem objetiva”. De objetivo, sei que a biruta continua apontando para o lado que sopra o vento. As orientações dadas são sempre de acordo com os interesses que cada grupo tem no assunto e enquanto as discussões estiverem carregadas de ideologias, não haverá solução. Cada lado radicaliza mais que o outro chamando até de imbecil os seus opositores, evidenciando que apesar de vivermos num país, dito livre e democrático, as pessoas ainda não aprenderam a conviver com opiniões diversas das suas. É preciso que alguma coisa seja feita e o primeiro passo é acabar com o preconceito medieval que qualifica as pessoas por sua opção sexual. Mas também não posso aceitar a ideia absurda de que os pais após gerarem a criança, tenham que esperar até a mesma atingir a idade escolar para decidir se quer se manter em módulo original ou se transformar para viver até o seu selo de validade vencer, numa identidade genérica. E neste caso, será que as crianças teriam maturidade suficiente para entender o que a escolha de uma opção sexual acarreta?
Anildo Martins da Silva –Aposentado

E-mail:anildoms@yahoo.com.br
Imagem: mariabarriga.com.br

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Notícias sobre a Academia de Artes, Ciências e Letras "Castro Alves"


Cultura por Lucinha Lima em 2015-10-19 12:41:34


Por Ilda Maria Costa Brasil - Presidente

No dia 17 de outubro de 2015, às 15 horas, no Auditório Luís Cosme, da Casa de Cultura Mario Quintana, à Rua dos Andradas, 636, 4º andar, Bairro Centro Histórico, Porto Alegre/RS, Acadêmicos, Confrades e Convidados da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves reuniram-se para Sessão Solene - Posse de Membros Efetivo e Correspondentes. Membro Acadêmico Efetivo - Sr. Décio de Moura Mallmith, Cadeira Nº 31, Patrono Antônio Brasil Milano; Membros Acadêmicos Correspondentes - Ceres Marylise Rebouças de Souza, Itabuna/Bahia, Cadeira Nº. 06, Patronesse Lila Ripoll; Mardilê Friedrich Fabre, São Leopoldo/RS, Cadeira Nº 27, Patrono Caio Fernando Abreu; José Rodrigues de Arruda, Serrinha/RN, Cadeira Nº 28; Patrono Marcelo Gama; Alberto Slomp, São Paulo/SP, Cadeira Nº 29, Patrono Celso Luft; Felícia Teresinha Soares Lopes, Caçapava do Sul/RS, Cadeira Nº 30, Patrono Fontoura Xavier; Yara Regina Franco, Araraquara/SP, Cadeira Nº 31, Patrono Álvaro Moreira; Renate Leopoldine Gigel, Novo Hamburgo/RS, Cadeira Nº 32, Patrono Gladstone Mársico; Raquel Martínez Martínez, Montevideo/Uruguay, Cadeira Nº 33, Patrono: Darcy Azambuja; Nurimar Bianchi, Soledade/RS, Cadeira Nº 34, Patrono Araújo Porto Alegre; Maria Cristina Drese, Ponte Grande/Argentina, Cadeira Nº 35, Patrono Moysés Vellinho. O Cerimonial primou pelo apuro formal, temático e cultural. Apresentações e discursos, esplendorosos exercícios intelectuais. Esses irradiaram singularidade, brilhantismo e musicalidade. No término de nosso encontro, a Pianista, Acadêmica Sra. Yara Regina Franco, agraciou-nos com uma belíssima apresentação musical.

 
Fonte - Ilda Brasil - ildamariabrasil@yahoo.com.br
Foto   - Divulgação

Referência
http://www.redesemfronteiras.com.br/noticia_ver.php?acao=comentar&id=1433

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Canção de um Final de Tarde

Foto: Celso Ferruda

                                             

 Lá no horizonte,
 O rubor da tarde
Vai redesenhando
Um quadro sem igual,
Todas as cores
Misturam-se calmas
Prá pintar a imagem,
De um belo final.

Formam-se as imagens
De tanta candura,
Que enternecem as almas
De todo mortal;
E os grilos cantores
Elevam seus acordes,
E se ouvem vozes,
De um canto ancestral.

A beleza é tanta
Que o pago adormece,
E a noite pampiana
Estende seu manto;
A bicharada toda
Vai se aquietando,
E um silêncio grande
Inspira meu canto.

Ah, como é lindo
O entardecer no pago,
Que até me comovo         
Ao lhe contemplar;
Reporto-me aos tempos
De tanta ternura,
Quando da varanda
Mateava a esperar.

 Me invade nesta hora
Uma saudade imensa,
Porque em outros tempos,
-Nos tempos de Piá;
Nunca imaginei
Que chegasse o dia,
Que eu fosse fazer versos
Pra te homenagear.

                                   Cireneu Pierezan


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Homenagem ao Centro Literário de São Leopoldo



Este ano o Centro Literário é o homenageado da 30ª Feira do Livro de São Leopoldo. Seguem a foto do presidente, Ramiro Sápiras, com o prefeito de São Leopoldo, Aníbal Moacir da Silva e com o patrono, e o convite  para que ele receba a Homenagem na Feira do Livro. 








sábado, 26 de setembro de 2015

Momentos





A cada momento que temos
A vida nos mostra um caminho
Mas somos nós quem escolhemos
O rumo do nosso destino

De tudo que vamos plantando
Em ódio amizade e amores
A vida nos vai confiando
Paixões alegrias e dores

No auge desta minha idade
Contemplo o presente legado
E ansioso eu aguardo o futuro

No canto da minha saudade
Enterro a tristeza passada
E vida melhor eu auguro

J.G.Ribeiro 
Imagem: Google

sábado, 19 de setembro de 2015

Bom dia, meu amor




No esplendor da noite que passei, foi com você que sonhei, o ser mais lindo que existe, jamais me verá triste pois é a minha felicidade, digo isso com toda verdade pois és a dona do meu coração, e te direi em forma de canção tudo que nele acontece, meu peito só obedece as tuas ordens e teus mandamentos faço a ti um juramento de para sempre amar-te sem cessar um só momento. 


Por meu sono passaste leve, linda e bela triunfaste, teus lindos loiros cabelos ao vento, foi um tormento de felicidade. Sorrias para mim e me acenava, a mim chamava para o mais doce beijo, era este o meu desejo antes mesmo que adormecia.


Ao teu encontro eu corri, em meus braços eu lhe tive, olhei em seus olhos por um momento e em teus lábios não me contive. O mar foi o plano de fundo de nossa linda história de amor, o sol como platéia, a areia deu o sabor, descalços corríamos em busca do paraíso, já não me peça mais juízo pois te amo sem pudor.


Ao acordar sorri feliz, pois te tenho em minha vida, já não há nada querida que desfaça nosso amor. Paixão temos de sobra, a mais linda obra que Deus nos ofertou, para que quem sempre clamou por o sonho em realidade transformar, vou para sempre lutar para a felicidade lhe dar, pois não somente amar será o que faremos, pois nós dois merecemos, mesmo em vida morrermos de tanto amar. 


Tenha um Bom dia meu amor, que com o sonho tido, de amor merecido nosso dia seja repleto, pois em versos completo todo amor que por ti exalto, bate o coração sobressalto, para brindarte com o dia sonhado, que o esperado se torne o norte, pois aqui bate forte o que digo ao mundo inteiro, seja sonho ou realidade, és meu amor, minha única verdade. 




Diego Martins
Imagem: Google 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Adolescente



Nesse olhar sincero e puro
Um sorriso de criança
Dois fatores de esperança
Do Brasil que eu mais auguro

Muitos sonhos revivi
Desde o dia em que nasceste
Nesse dia recebeste
A missão de estar aqui

És o nosso orgulho novo
Sentimento de um povo
Que confia nesta terra

Num país mais livre e forte
Menos fome e menos morte
Mais amor e fim das guerras

J.G.Ribeiro
Imagem: Google

sábado, 5 de setembro de 2015

O Sonho do Velho Avião



O dia amanhecera cinzento.

Perfilado ao centro da pista, o velho avião espera pacientemente a ordem para decolar. Com o coração aos saltos ele mal pode controlar sua ansiedade. Sabe que este será seu último voo, pois ouvira o comandante dizer que já estava velho demais para continuar.

- Vou provar a eles que estão enganados, pensou o velho avião, mirando a linha do horizonte como fizera muitas e muitas vezes. 
Potência máxima. O ronco dos motores ecoou pelos ares. Voruuumm...

A velha fuselagem range e estala, e, aos poucos o avião vai se desprendendo do solo. É só uma questão de segundos e ele logo alcançará os ares.

Já nas alturas, o velho bimotor abre ao máximo suas asas, como uma grande e prateada fragata deixa-se planar, planar...  Embalado mais uma vez, pela algazarra juvenil dos passageiros, rumo à cidade de Orlando na Flórida.

Dia após dia, noite após noite, o velho avião sonha esquecido a um canto do aeroporto. Sua fuselagem reluzente com letreiros azul, que outrora cintilavam ao sol, hoje não passa de uma mistura de pó e ferrugem carcomida pelo tempo.

E o velho avião sonha, sonha...

Sonha com o alarido de felicidade das crianças, com as alegrias e as tristezas de chegadas e partidas...

Quando a tesoura mecânica penetra na sua fuselagem arrancando-lhe os pedaços, ele continua inabalável com o olhar fixo no horizonte, pois há muito tempo sua alma de avião atingiu os ares, e lá permanece para conduzir outras almas a paraísos distantes.        

Jandira Weber
Imagem: Google